A vida é assim: a gente cresce, faz planos e tenta alcançar o planejou. Algumas vezes, porém, as coisas não são assim.

Quem nasceu no meio dos anos 80 e foi da geração de transição entre os séculos XX e XXI hoje se sente perdido. E é verdade. Somos de uma geração que viu de perto essa transição na forma como as coisas eram feitas. Quando éramos crianças, não havia computadores ou redes sociais. Isso, entretanto, chegou no fim do século passado.

Não tínhamos todas as facilidades de hoje e eu lembro de quando eu fui fazer a minha primeira faculdade (a única que foi concluída de fato e a mais inútil até agora) o uso do computador e da internet ainda era bem limitado. Nem haviam redes sociais. Apesar de haver serviços de chats como o MSN Messenger, esse conceito de rede social e da penetração delas nas nossas vidas só veio a partir de 2004.

Na época eu fui um dos primeiros a olhar pra internet e as possibilidades dela. Comecei com um tema específico que era o que dominava na época: a televisão. A TV por assinatura no Brasil ainda era algo inacessível e não havia esse febre por séries. Isso veio depois. Naquele momento tudo o que tínhamos era o que a TV aberta exibia. E isso era o que trazia a gente pra internet e comentar em fóruns específicos. Era a rede social da época.

O Orkut chegou no meio do caminho, mas ele só começou a ter maior importância por aqui 2 anos depois. Até então, era o que tínhamos. De fóruns, passei para sites de notícias e deles para meus primeiros blogs. Isso tem uns 12 anos já. E, engraçado como o tempo passa rápido. Ao mesmo tempo que me deixa preocupado hoje. Olhando pra trás, eu vi que não realizei nada do que pretendia aos 30 anos.

A maioria dos jovens aos 20 e poucos anos ainda acha que os 30 anos é algo distante. E, de repente, você chega lá. E não sabe o que fazer.

30 anos é dificil

Chegar aos 30 anos e não saber o que fazer é horrível

É como eu tenho estado atualmente. Não alcancei o meu principal objetivo para quando chegasse aos 30 anos: independência financeira. Obviamente que uma série de fatores contribuíram pra isso, mas a principal é, com certeza, não saber o que fazer e se sentir perdido, sem se encaixar em absolutamente nada.

A nossa geração, essa da transição do analógico pro digital, aprendeu coisas que hoje não fazem o menor sentido e não encontram espaço. Por que como tudo evolui, nós também evoluímos. Mas a geração que veio depois de nós é muito mais adaptada a essas mudanças repentinas e muito mais entendida em como se apropriar delas e usá-las ao seu favor.

Não que eu não saiba fazer isso. Só não tenho a mesma maestria dos jovens em lidar com essas ferramentas. Aprendo e sei mexer com elas, ao mesmo tempo que eu não ainda não consegui tirar delas o mesmo sucesso que eu obtive há 10 anos atrás.

Eu já via esse momento. Na época do curso de jornalismo, meu maior sonho era estar na TV. Afinal, eu adorava aquilo e vivia falando nos fóruns da internet. E, sim, era o maior sonho de todos da minha geração, mas pouco delas conseguiu realizar isso. A internet já mudou isso.

O Netflix e o Youtube hoje já ocupam o espaço que era da televisão para os da nossa geração. Gostamos mais de youtubers e séries do Netflix do que da novela das 21hs. Aliás, a novela se tornou, para nós, um modelo seriado que não tem mais a menor graça. Tudo demora a acontecer. A internet é o meio da agilidade.

E, por ser o meio da agilidade e que evolui muito mais rápido, sempre tenho a impressão de que fomos deixados pra trás, pelo menos alguns da nossa geração.

Eu me encaixo perfeitamente nisso. Quando eu tinha 20 anos, sonhava em ser repórter de TV. Hoje isso não tem o menor sentido pra mim. Mas uma coisa ainda não mudou, que era o desejo de ter independência financeira pelos 30 anos. Isso foi planejado mas não foi alcançado e, por mais que eu tente entender os motivos, só posso dizer que eles tem a ver com agilidade.

Ainda não sou muito ágil em lidar com o excesso de informações que vem em avalanches. Sem saber onde me encaixar, não consigo dar um direcionamento profissional na vida. Já pensei em fazer vídeos no youtube, mas acabo sempre desistindo. Não me vem nenhuma idéia que outras pessoas já não tivessem feito antes.

É realmente uma sensação horrível não saber o que fazer e nem pra onde direcionar a própria vida. Mas sei que esse sentimento não é só meu. Espero que logo encontremos uma solução pra isso. As coisas demoram a acontecer. Eu sei. Mas algumas delas podem ser mais rápidas. Mas, pra elas, não basta apenas querer. É preciso ter alguma ajuda e é a essa ajuda que eu não sei como recorrer.

Alguém sabe como ajudar? Respondam aí nos comentários.

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Written by Israel Anderson

Jornalista por formação, cineasta por estudos e curioso por natureza. Internet por paixão.

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