As cobranças da vida profissional e você não saber o que fazer sobre não é errado. Só não ajuda a definir nada.

Cobranças. Essa é a palavra que define a idade adulta. Não sei você mas se você está perto dos 30 – ou tem mais de 30 anos – e ainda está indefinido sobre o que fazer da vida você não está sozinho. Na realidade, você não é exceção. Você é apenas a consequência do momento onde todos acreditávamos que podíamos dar-nos o luxo de definir isso mais adiante.

Falo isso por conta da geração do final dos anos 80, final da ditadura militar e começo de governo civil. Era o momento que nossos pais acreditavam que nós seríamos melhores que eles. Que a educação que eles não tiveram seria a nossa porta de entrada em um mundo bem melhor.

A nossa geração, que viveu o final dos anos 90, começo dos anos 2000, em meio a todas as turbulências econômicas do país daquele instante foi mais estimulada ainda a estudar e a passar em uma universidade federal. Não passar em uma era como ter um carimbo de fracassado na sua vida acadêmica e profissional.

Não sei se isso era verdade, eu nunca passei em nenhuma universidade federal. Em parte por que eu nunca vi como as universidades federais poderiam ser melhores do que eu já estudava. Em outra, por que eu achava que bastaria talento, criatividade, idéias novas e disposição que as coisas iam se resolvendo.

Passados 15 anos daquele momento, aqui estou eu, depois dos 30 anos, ainda tendo de pensar sobre o que fazer da vida. E eu sei que não é errado estar nessa indefinição. Até 2 anos atrás eu ainda estudava meu segundo curso universitário e há uns seis meses atrás ainda fazendo pós-graduação.

Fomos estimulados a estudar e nos perdemos em muita coisa. Eu perdi o timing. Sempre fui um cara de mídia, de entretenimento, de cinema, da música, do high tech. Sempre foi o que me mais me interessou. Mas agora eu to completamente por fora disso. E nem sei por onde começar.

cobranças

Falta de foco e cobranças não ajudam a resolver o problema sobre o que fazer da vida

Cobranças por causa dessa confusão não ajudam a criar um foco.

E é isso que eu e muitos de nós pensam. Eu tenho pensado nisso por alguns dias desde que eu tenho visto os resultados desse site melhorarem um pouco, mas ainda sim chegarem a um período onde eles não vão melhorar. Só vão ficar na mesma. E pra melhorar, é preciso ir pro vídeo.

O fato de você não ter foco e ver que outras pessoas já fazem aquilo que você queria fazer também não ajuda muito. Ontem eu tava vendo um dos incontáveis filmes sobre Steve Jobs e uma das linhas que ele dizia é que “nós não queremos ser melhores que vocês. Queremos ser diferentes.” Ou era algo assim, eu ouvi de relance.

Mas aquilo ficou na cabeça. Não ter foco é um problema. Eu sei. Tento buscar em paixões da juventude algo que possa servir de inspiração pra hoje. Mas quase tudo já é feito por outras pessoas e com sucesso hoje. Como ser diferente deles? Como fazer a diferença?

Sim, não é errado estar nessa confusão. Mas cobranças certamente não ajudam a melhorar nada. Só pioram pois nos forçam a ter de pensar e isso cria a aflição e a ansiedade por não saber o que fazer. Cobranças que vem de todos os cantos, não apenas dos outros. Mas sobretudo de nós mesmos.

Nesse link do MHM – um blog/Vlog que eu tenho acompanhado há algum tempo – tem um post que tem me feito pensar sobre isso. Sei que é complicado demais a sensação de impotência perante aquilo que a gente julgava estar sob o nosso controle realmente não estar.

E o momento que a gente tem vivido no Brasil também não ajuda em nada. Se nós já tínhamos problemas para encontrar o nosso lugar nos melhores momentos do país, hoje em seu pior momento é que não encontraremos. O Brasil é um país injusto. Agora está um pouco mais injusto. E em meio a tudo isso, ainda encontra uma forma de fazer cobranças.

 

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Written by Israel Anderson

Jornalista por formação, cineasta por estudos e curioso por natureza. Internet por paixão.

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