A atual série que tem sido o maior sucesso na rede “13 Reasons Why” é uma maravilha. Mas ainda não consegui ver.

Há umas 3 semanas desde que “13 Reasons Why” estreou no Netflix e todos falando sobre isso, fui me inteirar sobre o que a série fala. Essa série é maravilhosa. Não por motivos técnicos. Mas por que ela faz a gente repensar a nossa própria vida. E sobre tudo aquilo que a gente passou quando a gente tinha a idade daqueles personagens retratados na série.

Quase todos nós que nos sentíamos diferentes na escola sofremos bullying. Eu mesmo. Sofri demais com isso. Lembro de que quando eu tinha aquela idade, eu não me encaixava em nenhum padrão na escola. Sobretudo por que eu era gordo. Era um alvo fácil de brincadeiras. Era um alvo fácil de bullying. E por muitas vezes, sair de casa e enfrentar aquele ambiente era uma tortura que eu era simplesmente obrigado a fazer.

Lembro de como eu fui isolado e precisei me isolar dos outros por que eu não aguentava ouvir as referências sobre minha aparência ou sobre o meu corpo. E eu sequer tinha culpa daquilo. Eu sempre precisei lutar contra a balança. Tem épocas que isso é mais fácil. Tem épocas que não. Todos tem isso. Mas por que apenas umas pessoas tem seus problemas ressaltados do que outras? Por que eu fui escolhido para ser alvo de bullying?

Eu tenho, sim, vários problemas relacionados a toda essa época da minha vida. E não é por que eu não tente superar. Ou que eu não queira. Ter sofrido bullying, ter sido alvo de brincadeiras, de preconceitos e de comentários desagradáveis sobre mim me fez ter apreensão em lidar com as pessoas. Eu não tenho amigos com quem eu possa contar, ligar, pedir indicações de empregos ou coisas do tipo.

13 reasons why

Logo de “13 Reasons Why”

“13 Reasons Why” me faz pensar na coragem que eu preciso ter para enfrentar o que eu não consigo.

E eu não consigo simplesmente achar que as pessoas são sinceras comigo por que esse trauma sempre aparece. Mesmo quando as vezes as pessoas se mostram interessadas em mim. Poucos foram as pessoas que conseguiram transpor essa barreira. Mas ainda dói. Alguns traumas a gente resolve com terapia. Mas alguns a gente só resolve reaprendendo a viver.

“13 Reasons Why” é uma série realmente difícil pra mim. Ainda não sei se eu teria a capacidade de assisti-la sem deixar que ela não me afete. Eu sei que ela vai. Eu sei que ela vai mexer demais comigo. Especialmente em face ao momento que eu tenho vivido nesse ano de 2017. Esse ano, em especial, eu tenho me questionado muita coisa. Mas uma, em especial, sempre tem fixado na minha mente: por que a minha vida deu errado até aqui? E o que eu poderia fazer para que isso mude?

A resposta eu já dei ali em cima: reaprendendo a viver. E é isso que mais me trava. Por que eu não sei como fazer isso. Não sei como construir amizades sem que os traumas do passado não me afetem de novo. Não sei como eu vou confiar nas pessoas uma vez que eu já fui traído por elas. As vezes eu me sinto como a “Carrie”, de “Carrie, A Estranha”.

Como eu vou saber que eu posso confiar em alguém, salvo algumas raríssimas excessões? “13 Reasons Why” (ou as “13 razões por que”). Esse tema é muito doloroso pra mim. É um tema que eu não sei se eu posso enfrentar ainda. Pelo menos não agora. Eu sei que ainda preciso enfrentar os meus traumas. Mas sei que isso vai ser – como tem sido na minha vida até aqui – no momento certo. Onde as coisas serão encaminhadas pra isso.

Até lá, eu ainda vou criar coragem pra assistir “13 Reasons Why”.

 

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Written by Israel Anderson

Jornalista por formação, cineasta por estudos e curioso por natureza. Internet por paixão.

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