Corrupção e retrocesso são as duas marcas bem fortes desse longo ano de 2016

O Brasil sempre vai ser o país do futuro. Pelo menos é o que fazem a gente pensar. Há, pelo menos, dois séculos. E, nesse tempo todo, corrupção e retrocessos são as maiores marcas de como todo o crescimento do país pode ser freado e regredido por anos e a gente não pode fazer nada para evitar. Nossas vozes estão silenciosas.

corrupção e retrocesso

O futuro que nunca chega.

Resolvi falar desse tema por várias notícias que deram conta de como as coisas no Brasil desandaram esse ano. Essa semana, por exemplo, vimos que a diferenciação de preços foi autorizada. Vimos que vários direitos trabalhistas tem sido desrespeitados em vários estados e em breve em todo o país.

E só nesse mês vimos anúncios de reformas da previdência.Vimos a aprovação da PEC 55 agora em vigor. Vimos delações que atingem o presidente pessoalmente mas nada lhe acontece. Vimos que a imprensa não faz o papel que lhe cabe, apenas serve de assessoria de imprensa sofisticada. Vimos desemprego bater recordes.

Nos disseram que bastaria tirar Dilma que tudo iria melhorar. E vimos que a corrupção e retrocesso foram maiores do que nunca. Nos prometeram um futuro brilhante. Nos entregam um presente medíocre e uma perspectiva de futuro praticamente nula.

Vimos que culpamos o sistema político por problemas que não são apenas dele, mas nossos também. Nossos representantes não são diferentes de nós mesmos. Só que nós é que não queremos nos enxergar neles. Achamos que as pequenas contravenções diárias não são nada.

Corrupção e retrocesso também começa na gente. Só não queremos reconhecer isso.

Mas são elas as maiores responsáveis por toda essa corrupção e retrocesso que hoje dominam o Palácio do Planalto. Os retrocessos anunciados pelo atual governo não foram acordados pelas urnas. Retrocessos que, embora sejam feitos por um governo temporário, terão efeito de longo prazo.

Esse vídeo no Facebook mostra bem como a gente espera que os nossos representantes sejam diferentes de nós mesmos. É um desejo impossível de ser cumprido. Eles, antes de estarem lá, eram pessoas como a gente. E faziam o mesmo que nós fazemos.

O Brasil sempre foi vendido como o país do futuro. As gerações pós-ditadura podem muito bem falar sobre isso. Se você tem entre 25 e 35 anos, você cresceu ouvindo isso. O país do futuro sempre foi uma ideia bonita a ser vendida pela mídia e pelos próprios políticos em suas campanhas.

Isso, por sinal, é o que o atual governo temporário está vendendo. Essa ideia de país do futuro, onde imagina-se que chegará a níveis de primeiro mundo é apenas marketing. Ela é prejudicial demais. E ela justifica tamanha corrupção e retrocesso que estamos vendo chegar a galope.

Sempre esperamos que as coisas sejam diferentes. E elas só serão diferentes quando esse marketing de país do futuro, quando as nossas pequenas contravenções sejam, de fato, percebidas como a maior parte do problema de nossos representantes.

Somos um país do futuro. Só que esse futuro nunca chega e nem chegará. E ele não depende de tempo. Depende apenas de uma única coisa: a nossa própria consciência.

 

Comente com Facebook

Written by Israel Anderson

Jornalista por formação, cineasta por estudos e curioso por natureza. Internet por paixão.

Deixe uma resposta