Protestos de corrupção em 2016

Rio de Janeiro – Grupo de manifestantes reunidos na Cinelândia protesta contra a corrupção e o governo da presidenta Dilma Rousseff (Fernando Frazão/Agência Brasil)

Enquanto não olharmos pro verdadeiro culpado – nós mesmos – de nada adianta protestar contra corrupção.

Estou eu, aqui, de madrugada tentando escrever alguma coisa. Mas aí me pego envolto em um problema: no estacionamento do bloco próximo, começam a fazer festa com aqueles carros modificados. A corrupção começa aí: ao não respeitar uma simples lei que proíbe que isso aconteça, a corrupção se estabelece. E não adianta ir protestar na rua que isso não vai resolver o problema.

Muitos tendem a associar a corrupção apenas com o mundo político ou dos negócios. Mas quase ninguém olha para si mesmo e as próprias transgressões do dia a dia que cometemos. Essas pequenas coisas que não nos damos conta são o problema que se avoluma e chega ao congresso ou ao executivo. Antes de cobrar deles devemos olhar pra nós mesmos. Estamos sendo nós corretos? Estamos nós fazendo práticas ilegais? Não estamos nós seguindo leis por mais simples e insignificantes que elas sejam?

O dicionário define corrupção como 
Ação ou efeito de corromper.Ação ou resultado de subornar (dar dinheiro) uma ou várias pessoas em benefício próprio ou em nome de uma outra pessoa; suborno; Utilização de recursos que, para ter acesso a informações confidenciais, pode ser utilizado em benefício próprio; Alteração das propriedades originais de alguma coisa: corrupção de um livro; Ação de decompor ou deteriorar; putrefação: corrupção das frutas;Desvirtuamento de hábitos; devassidão de costumes; devassidão.

E é esse o maior problema que nós vivemos no nosso Brasil. Nós sempre queremos ou tentamos levar vantagem em tudo. Estamos sempre procurando desvirtuar as coisas. Achamos e pensamos que só por que uma coisa não é grande ela não vai afetar ninguém. Estamos errados. E muito errados em pensar dessa maneira. Não deveríamos sequer aceitar que as coisas sejam assim. Isso apenas serve para dificultar o nosso entendimento do que nós estamos fazendo ou contribuindo para que a corrupção aconteça.

Nossos pequenos atos dizem também muito da nossa própria cultura. E, ao que parece, a corrupção faz parte dela.

Pequenos atos como estacionar em vagas de deficiente, idosos ou gestantes sem você ser deficiente, idoso ou gestante é um ato de desvirtuamento. Ouvir música alta enquanto dirige a ponto de incomodar os demais quando há uma lei que proíbe expressamente essa prática também é corrupção. Modificar seu carro sem ter autorização legal pra fazer isso e não obter as licenças próprias pra isso também é corrupção. Molhar a mão do agente que autuou você em alguma infração é corrupção também.

Receber um troco com mais do que realmente você deveria receber é corrupção. Enganar alguém com objetivo de tirar alguma vantagem própria é corrupção. Beber e dirigir alcoolizado não só é corrupção como também um crime gravíssimo. Copiar algum trabalho da internet é corrupção. Prometer algo e vender o que você não vai entregar também é corrupção além de um gravíssimo crime contra o consumidor.

Se aproveitar do sucesso de alguém tentando conseguir vantagem própria também é corrupção e um grave defeito ético. Aliás, é esse problema ético e legal que devemos enfrentar com maturidade e não projetar esse problema apenas na classe política. Ela é apenas o reflexo da nossa sociedade. É o espelho que reflete exatamente como a nossa sociedade é e se comporta perante a lei e a ética.

É justamente por projetarmos nos outros aquilo que nós somos no diário que não enxergamos onde o problema começa. Deveríamos aprender a olhar pra nós mesmos e identificar em nós os problemas. E deles, criar a solução que a gente tanto espera – ou protesta nas ruas. A corrupção é inerente ao ser humano. Mas ela também pode ser controlada. Basta sabermos como agir perante a esses dilemas éticos.

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Written by Israel Anderson

Jornalista por formação, cineasta por estudos e curioso por natureza. Internet por paixão.

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