Depressão é um filtro nebuloso que nos impede de decolar

Depressão é um filtro que não nos deixa ver as coisas claramente. E nos impede de decolar.

Ficar com depressão por um motivo simples é até algo comum e normal. O porém é quando isso se torna patológico.

A depressão é um estado mental onde a tristeza predomina e o nosso estado de ânimo diminui. Em virtude disso, não vemos sentido ou disposição para fazermos as coisas simples do dia a dia. As vezes, em decorrência de uma tristeza. As vezes, por que não encontramos um sentido pra fazer as coisas que normalmente deveríamos fazer. E isso nem sempre é ruim. Mas, obviamente, não é o melhor que uma pessoa possa viver.

E esse segundo motivo é o que mais tem me feito pensar: qual o sentido de acordar e fazer tudo o que eu faço sem ter nenhuma recompensa em troca? Por que as vezes eu não encontro motivação ou disposição de fazer alguma coisa que me dê ou faça a vida ter sentido. Ontem, ao escutar Legião Urbana, acabei me pegando nesse sentimento e nesse pensamento.

Qual o sentido de estar aqui? Por que estamos aqui? Por que esse site existe? E várias e várias perguntas que são feitas quando a gente se pega nesse sentimento. Não é simples entender isso. Mas certamente tem uma causa. No meu caso, tem a ver com esse sentimento de não me sentir útil ou que as coisas que eu faço por mim ou faça por aqui sejam irrelevantes.

Ter 30 anos e não ter ainda uma definição sobre o que fazer da vida é algo que me deixa ainda com depressão. As pressões sociais são enormes. E a sensação de ter sido deixado para trás não é das melhores pra alguém que sempre se viu a frente do tempo em prever alguns avanços tecnológicos. Tecnologia sempre fez parte da minha vida, mas estar excluído de avanços é muito ruim.

É verdade que nem toda depressão é patológica. Mas quase todas tem o mesmo elo em comum – a sensação de que não valemos muito. Ou que nossas conquistas não são importantes.

Desde quando eu assisti ao filme “Divertida Mente”, da Disney – um dos poucos, aliás, que foge ao clássico enredo que lhes é comum. Não é um filme sobre depressão, obviamente, mas ilustra muito bem como achamos que a nossa mente é. Assistir aquele filme é bom para ilustrar como a gente imagina que a nossa própria mente funciona. As vezes, é exatamente isso – quando a tristeza toma o controle, a gente não consegue reverter as lembranças por melhores que elas sejam.

Não sei se eu posso definir o que, por vezes sinto, de algo patológico. Até agora nenhum médico que eu já visitei me diagnosticou com depressão clínica. E isso em si eu acredito que não tenho. Até por que esses estados de baixa normalmente tem a ver com a forma como nos sentimos perante conhecidos, amigos, etc. É triste perceber que as vezes a gente sente que poderia ser muito mais. Mas descobre que não consegue ultrapassar disso. Não é assim que você também se sente, as vezes?

Essa sensação tem a ver com a baixa capacidade social. Ou de interação social. E admitir que se é um fracasso em construir relações não é a coisa mais fácil para alguém que tem 30 anos. É horrível. E o pior ainda é ver que isso não melhora. As vezes até piora com o passar do tempo. Não era bem isso que eu pensava de mim mesmo. E nem isso o que eu esperava ao chegar aos 30 anos.

Eu sei que todos nós temos dias bons e dias maus. A depressão é um filtro que acaba atrapalhando a nossa visão dos dias bons. E hipervalorizando os dias tristes. Sei que já não tenho mais a mesma capacidade ou mesmo habilidade de escrever como antes. Venho tentando fazer o que eu posso no meu tempo. Dias maus existem e a gente é obrigado a lidar com eles. Talvez eu esteja em um mau dia. Mas esse filtro fica. Só espero que não fique permanentemente.

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Written by Israel Anderson

Jornalista por formação, cineasta por estudos e curioso por natureza. Internet por paixão.

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