Diferenciação de preços acaba criando a diferenciação de consumidores. E sairá mais caro pra você.

É comum que a gente, ao comprar, peça descontos se formos fazer o pagamento à vista ou em espécie. Isso é algo previsto no Código do Consumidor. É uma prática até corriqueira do comércio e algumas lojas já até deixam isso claro na hora de perguntar a forma de pagamento. Não é diferenciação. Não como a MP que vale hoje.

A diferenciação proposta pela MP publicada pelo governo Temer permite cobrar preços diferenciados de acordo com a forma de pagamento. No modelo que valeu até ontem, os preços eram os mesmos. Independente da forma de pagamento. Os descontos eram concedidos para o pagamento a vista e apenas se for pedido pelo cliente.

diferenciação

Diferenciação em meios de pagamento é prejudicial ao consumidor quando usada de forma errada

A partir de hoje, no entanto, foi legalizado separar os clientes pela forma como eles vão pagar e oferecer preços menores para quem tenha dinheiro para pagar a vista. A MP do governo Temer é um retrocesso. E tentam vender como se fosse um avanço. E não é.

Vamos pensar hoje: os preços já contém embutido neles as taxas que são cobradas pelas administradoras de cartão. Em geral essas taxas variam de acordo com a administradora. E, em geral, os comerciantes não querem perder lucro por conta dessas taxas que são cobradas pelas administradoras.

Já prevendo que a maioria das pessoas hoje preferem usar pagamentos eletrônicos, já embutem isso no próprio preço final para não sacrificarem suas margens de lucro. E quando lhe oferecem algum desconto, normalmente, apenas dão o abatimento dessas taxas. Nunca é um desconto real.

Diferenciação não vai resolver a crise. Vai aprofundá-la mais ainda.

A diferenciação entre os consumidores é prejudicial para a economia. A grande maioria dos brasileiros não tem condições de arcar com tudo a vista. Normalmente, só o faz para consumos imediatos, relacionados aos gastos com alimentação. Tais gastos sempre foram pagos assim.

o prejudicial para a economia está nos bens de consumo. Em geral, eles são adquiridos via crédito. E essa diferenciação categoriza clientes. Os expõe ao oferecer preços menores a quem pagará em espécie. Os coloca em uma situação que não era necessária.

Sabemos que não podemos confiar 100% nos empresários brasileiros. Aqui, a cultura da desconfiança sempre prevalece. E a do “jeitinho”, também. Comerciantes aproveitarão a oportunidade de aumentar preços de produtos quando eles forem vendidos no cartão. Cobrando duplamente uma taxa que já está embutida no preço final.

Não há dúvidas que essa medida será desastrosa. Bastante desastrosa. Especialmente para os consumidores. Serão os consumidores que serão privados do acesso a produtos pela diferenciação de preço que eles terão. Ao mesmo tempo que isso poderia ser usado de maneira positiva, aumentando concorrência, ele será usado negativamente.

E isso sabemos que é bem comum por aqui. Esse desastre não vai melhorar a economia. Vai apenas piorar o que já não estava bem. E você sabe bem onde isso vai dar.

Comente com Facebook

Written by Israel Anderson

Jornalista por formação, cineasta por estudos e curioso por natureza. Internet por paixão.

Deixe uma resposta