A eleição americana também importa

Sim, devemos dar importância a eleição presidencial americana. E não por qualquer motivo. O presidente dos Estados Unidos da América é um dos cargos políticos mais importantes do mundo. É o presidente dos Estados Unidos que detém poderes políticos e influência em várias questões internacionais – além das obrigações internas. E não é qualquer um que pode assumir esse cargo.

E essa eleição americana tem me lembrado a eleição que tivemos em 2014. E, não, não vou comparar Hillary Clinton com Dilma Rousseff e nem Donald Trump com Aécio Neves. Até por que, guardadas as proporções, não há aproximações políticas e ideológicas entre eles, especialmente por causa das peculiaridades da política americana. Nos Estados Unidos, os conceitos de direita e esquerda são bem diferentes do que conhecemos aqui. Lá esses conceitos são mais diluídos.

eleição americana

Hillary x Trump, eleição americana

Aliás, os conceitos de direita e esquerda que temos aqui tem muito a ver com a maior influência européia na formulação das ideologias partidárias que regem os nossos atuais partidos. Na Europa, os conceitos são bem mais profundos e muito por causa da própria União Soviética, que foi o país onde, grosso modo, aplicou os conceitos de socialismo que são associados naturalmente a esquerda política.

Esquerda x Direita

Nos Estados Unidos, isso é bem diferente. Ambos os partidos dominantes – Republicanos e Democratas – são partidos com espectro mais liberal, ora privilegiando políticas de cunho social. Aliás, essa é a maior diferença entre eles. Republicanos tendem a não adotar essas políticas. Os democratas, por outro lado, já as adota. É a maior diferença entre eles.

Todavia, isso não dá aos democratas uma fachada de esquerda. Apenas os diferenciam de políticas tradicionais defendidas pelos Republicanos. E isso, por sinal, tem dado o tom das campanhas tanto de Hillary Clinton, que tem falado sobre os direitos das mulheres e minorias e Donald Trump, que tem dado maior destaque a um discurso conservador associado com valores religiosos defendidos pela ala evangélica dos Republicanos.

A importância da eleição americana afeta outras áreas também

Embora as questões internas dos Estados Unidos pesem mais na hora de escolher seu presidente, é internacionalmente que o papel do presidente americano se revela mais forte. Colocar na presidência americana uma pessoa que não tenha auto-controle ou mesmo com tendências bem retrógradas é um perigo, especialmente quando levamos em consideração o número de conflitos em que os Estados Unidos estão envolvidos.

Isso reflete-se nos atuais conflitos com a Síria e Líbia, ISIS, Rússia e outras disputas. Uma tendência de diálogo ou uma declaração de guerra são coisas comandadas diretamente pelo presidente americano. É também na economia que o papel do executivo americano também acontece: mudanças bruscas na economia americana afetam a economia global.

Isso tanto pode agravar a crise econômica que vivemos no Brasil ou mesmo fazer com que ela passe mais rápido, dependendo de como isso seja sentido pelos mercados. Hoje mesmo tivemos um exemplo disso. A alta do dólar, por exemplo, tem a ver com as tendências eleitorais americanas.

Mudar o sistema não é opção

A eleição americana, porém, ainda preserva um sistema bem mais arcaico. Eleitores não votam diretamente para presidente, mas em delegados dos partidos que elegerão o presidente. E lá é um dos poucos países onde isso ainda acontece. Hoje, a maioria dos países já adota o sufrágio universal. Mudar isso por lá, porém, não é uma opção.

Até agora, tudo indica que nas próximas horas os Estados Unidos farão história e elegerão delegados para confirmar Hillary Clinton como a primeira presidente mulher daquele país. Em quase 300 anos, é bem histórico e significativo que uma mulher assuma a presidência americana.

Mas, não é algo 100% certo. O voto popular pode ir em um sentido e o colégio eleitoral em outro. O certo é apenas esperar. Só resta isso. O mundo todo, hoje, está de olho no que acontece lá.

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Written by Israel Anderson

Jornalista por formação, cineasta por estudos e curioso por natureza. Internet por paixão.

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