Eleições francesas colocaram 2 outsiders na disputa pela presidência. É a tendência que vem acontecendo desde 2016.

2016 provavelmente foi um ano que a gente vai levar um certo tempo para entender. Mas teve um movimento político interessante. No Brasil, tivemos a ascensão da direita ao poder com o processo de impeachment de Dilma Rousseff e, posteriormente, a confirmação de Michel Temer como presidente em definitivo no ultimo dia de agosto daquele ano. Isso obviamente teve um papel importante ao influenciar as eleições daquele ano por aqui. Só que essa tendência não era apenas aqui. Mas em vários lugares do mundo.

Nos Estados Unidos, vimos isso acontecer com a vitória de Donald Trump na eleição americana de novembro. Não chegou a ser uma surpresa que ele venceria, apesar de todas as previsões apontarem que não. As previsões não captaram o sentimento do povo americano ao projetar que Hillary seria a vencedora daquele pleito. Mas como isso aconteceu saberemos em muitos detalhes. Mas é importante entender o que aconteceu. E o que levou a isso.

Uma das teorias envolve justamente o fracasso das políticas de esquerda que foram aplicadas em vários países da Europa e da América Latina durante a década de 2000. Não o fracasso político. Mas o econômico. Alguns dos países entraram em crise após esse período. E isso também foi afetando outros países. Mas o estouro desse movimento começou em algum momento entre 2011 e 2013. Mais especificamente com o estouro da crise dos refugiados da Síria cuja guerra começou em 2011 mas se intensificou nesse ponto.

A crise de refugiados acentuou um debate sobre imigração e crescimento populacional, especialmente os que envolvem a religião islâmica. Daí os discursos da direita se aproveitaram desses fatores para alçar o poder. Na América Latina, esse movimento iniciou-se no próprio Brasil em 2013 quando houveram os movimentos contra os governantes. E as jornadas de junho daquele ano. Óbvio que o discurso aqui não teve a ver com a imigração. Mas com o fracasso das politicas econômicas de esquerda.

eleições

Eleição na França e a influência por aqui em 2018

No Brasil esse processo começou em 2014. E vem se arrastando até então.

Isso foi se tornando algo forte ao longo de todo o processo de construção eleitoral para o ano seguinte. Em 2014 vimos isso acontecer no Brasil. Embora o discurso de direita tivesse sido mais forte – afinal, ele foi o que elegeu o congresso nacional – ele foi derrotado nas urnas em 2014. Mas seguidamente adotado pela chapa vencedora em 2015 mesmo que em menor grau do que o que vimos na campanha.

Mas no restante da América Latina vimos essa ascensão acontecer na Argentina com Macri em 2015. Vimos isso, de alguma forma, acabar influenciando o próprio Brasil. Na Europa, vimos a ascensão do Partido Popular, de Mariano Rajoy, o primeiro ministro conservador. E a consolidação do poder dele. Vimos também a campanha do referendo pela saída do Reino Unido da União Européia, o Brexit. E vimos a direita se movimentando em eleições de vários países, tendo algumas vitórias e derrotas pontuais em alguns deles.

Mas 2017 parece que vem para consolidar essa mudança de ventos no mundo. Na França, vimos a direita e a extrema direita, ambas comandadas por outsiders, chegarem ao segundo turno. E ambas com algumas chances de vitória. É até um prenúncio do que quase vimos acontecer em 2014 mas que deve se repetir por aqui em 2018. E não com o velho PT contra PSDB dos últimos 25 anos. Veremos outra coisa.

O cenário está sendo montado para que isso aconteça. Incluindo o discurso anti-imigração que alguns possíveis candidatos estão tentando imprimir. Sobretudo o que envolve a religião. Isso foi forte na França de alguma forma. E veremos um pouco disso se repetir em 2018. Faltam poucos meses pra isso em 2018. Embora pareça que vai demorar. Não vai.

2018 está chegando pra gente. Mas pra quem vai estar lá disputando, já começou.

 

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Written by Israel Anderson

Jornalista por formação, cineasta por estudos e curioso por natureza. Internet por paixão.

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