No Brasil, Impeachment. Na Europa, Brexit. Nos USA, Donald Trump. Acontecimentos importantes que não sabemos as respostas.

2016 certamente será um ano bem extraordinário. Seja pelo que ele trouxe de bom. Seja pelo que ele trouxe de ruim. É um ano que os historiadores vão se debater muito pra entender. Até por que os acontecimentos nesses últimos 11 meses tem e estão superando em muito o que vimos em 2015. E não é qualquer coisa. São acontecimentos muito intensos e imprevisíveis.

Não vou dizer que o que estamos vivendo é o fim de uma era. Não acredito nisso. Essa era acabou bem antes. Estamos iniciando uma nova era. E me assusta que essa era seja justamente o repeteco do que aconteceu em um passado não muito distante. Ok, não vamos exagerar muito nas coisas, mas é importante entender que o que vimos acontecer agora é o exemplo mais claro e exato de como a história e o tempo são cíclicos e se repetem sempre.

Parece até redundância falar disso, mas não é. Alguns acontecimentos desse ano parecem ser bem distantes mas todos eles tem algo em comum e me assusta que esse algo em comum seja apenas uma palavra: Intolerância. Sim, essa palavra é a que tem guiado alguns dos acontecimentos recentes em pelo menos nesses últimos 6 meses.

No Brasil, o impeachment.

E o impeachment no Brasil teve como fator principal a intolerância. Não, não vou defender ou mesmo falar que foi golpe. Aliás, acredito que no futuro os historiadores irão falar sobre o que exatamente aconteceu. O fato é que a intolerância foi um dos fatores que favoreceram o impeachment – além de várias questões políticas, obviamente.

A intolerância em volta do impeachment aconteceu muito por causa da mídia. Nenhum governante no mundo agrada 100% da população que governa. Houveram líderes ultra-populares, mas nenhum deles chegou a 100% de aprovação popular. Isso é algo inclusive impossível de acontecer. Todavia, a intolerância partidária e mesmo pela figura da ex-presidente foi um dos fatores que mais atraiu apoiadores ao impeachment.

Na minha visão, as causas do impeachment passaram longe do alegado e estão em alguns erros estratégicos cometidos pela ex-presidente e pelo seu partido na tentativa de construção de um governo de coalizão cujo modelo desgastou-se profundamente no primeiro mandato dela. Era impossível que esse modelo se sustentasse por muito mais tempo.

Houveram outras decisões equivocadas que levaram a perda de apoio popular, mas não vou discutir isso neste artigo. O ponto aqui é que a intolerância política e a polarização levaram a uma situação ingovernável. E o resultado disso foi o esperado e sabido. E ele, obviamente, deveria ter ocorrido 2 anos antes.

Na Europa, o Brexit.

O Brexit – ou a saída da Grã-Bretanha da zona do Euro foi altamente motivada por um discurso de intolerância e xenófobo. Intolerância contra os estrangeiros, refugiados e mesmo cidadãos europeus que possuem livre acesso entre os países da União Européia. E esse discurso não é o melhor e nem mesmo o mais acolhedor.

O protecionismo defendido pelo referendo que levou ao resultado pela saída é a repetição do mesmo discurso que tínhamos durante o final do século XIX. Sim, como eu disse acima, o tempo e a história são cíclicos e os períodos de história se repetem. E estamos vendo esse retorno a uma período que aconteceu no final do século XIX e começo do século XX. Funcionou lá, não havia economia e nem comunicação globalizada. Hoje, isso é bem diferente.

E, esses movimentos na Grã-bretanha tem levado a uma onda de intolerância dentro da própria Europa. E tem atingido os lados americanos também.

Nos USA, Donald Trump.

Donald Trump sempre foi conhecido mais pelas controvérsias que ele se metia e pelas declarações polêmicas que ele dava quando ele comandava o programa “The Aprenttice”. Sim, aquele mesmo que por aqui foi comandado por Roberto Justus. Nesse programa, a celebridade Donald Trump mandava e desmandava. Demitia. Era desbocado. Quem viu os programas dele por aqui sabe a personalidade dele.

Mas até aqui, isso era só um personagem em um programa de televisão. Como eu disse nesse post, ele usou esse know-how de mídia para fazer a campanha política dele. A decisão dele se candidatar, por sinal, foi tomada em cima da hora. E não era algo impossível ou improvável. Em 2000, um dos episódios dos Simpsons já havia explorado essa possibilidade.

Todavia, o personagem Donald Trump passou da mão. A vitória dele, certamente, vai ser objeto de estudos bem intensos, especialmente os que envolvem a comunicação e o marketing político. O fato é que o personagem Donald Trump do Aprendiz agora é presidente dos USA. Aquele desbocado do programa que fala impropérios, foi preconceituoso com mulheres, latinos e outros. E isso baseado no mesmo discurso de intolerância e preconceito usado na Europa e por aqui.

Conclusão

É muito assustador ver como em um séculos tivemos enormes avanços sociais mas esses avanços não tem nos garantido uma evolução social. E falo de evolução como a igualdade entre os sexos em seus ganhos, garantias para diversidade sexual, melhores condições sociais e ganhos e menos guerras ou disputas. É um sonho impossível, eu sei. Tudo parecia que nos levaria a isso. Agora, não temos mais essa certeza. talvez leve séculos pra vermos alguma dessas coisas acontecerem.

Comente com Facebook

Written by Israel Anderson

Jornalista por formação, cineasta por estudos e curioso por natureza. Internet por paixão.

Deixe uma resposta