A votação do Impeachment em 17 de abril de 2016 foi um dia bem singular e grotesco.

Lembro bem como foi aquele domingo. Foi o ápice de todo um processo que havia movimentado o país inteiro 3 meses antes. Não vou falar aqui da política envolvida nisso. Ou se foi ou não golpe. Isso eu acredito que cada um tem suas próprias impressões. Mas vamos concordar que o que vimos naquele dia ao vivo na televisão por 8 horas seguidas foi um espetáculo grotesco.

Os argumentos eram um tanto exagerados, mas não vou me prender a eles. Mas, sim, a tudo o que nós fomos obrigados a ver. Até então nós não havíamos visto ou tido oportunidade de ver a classe política em ação, completamente reunida. É difícil que a gente veja os políticos em Brasília reunidos em um mesmo lugar ao mesmo tempo para votar matérias. Nem mesmo os projetos de interesse do governo tem tanto quórum.

Mas aquele momento foi, realmente, ímpar. Vimos de tudo ali. Vimos políticos sem o menor compromisso com o país. Vimos políticos gritando e transformando um espaço político em uma filial de uma igreja. Vimos políticos folclóricos estourando serpentinas e confetes durante o seu voto. Vimos políticos dedicando seus votos a familiares ou igrejas ou demais organizações, mas não ao futuro do Brasil e nem ao que se espera de um discurso político.

Vimos deputados conclamando preconceitos contra mulheres e LGBTs, vimos políticos dedicando votos à ditadura militar e a um de seus mais expressivos representantes, vimos políticos fazendo dancinhas e torcidas organizadas ao longo da noite toda. E que no dia seguinte seriam pegos em investigações da Polícia Federal por escândalos de corrupção. Aquela mesma que eles juravam que iam combater em seus votos.

grotesco

17/04/2016- Brasília- DF, Brasil- Sessão especial para votação do parecer do dep. Jovair Arantes (PTB-GO), aprovado em comissão especial, que recomenda a abertura do processo de impeachment da presidente da República.

 

A audiência da TV desse espetáculo grotesco acabou servindo ao propósito de apresentar a nós mesmos os nossos representantes.

O espetáculo que fomos obrigados a ver – com exceção do Silvio Santos, que preferiu manter o seu SBT longe disso – esteve presente em todas as televisões do país naquele momento. A votação do impeachment certamente foi o maior espetáculo televisivo que vimos nos últimos anos. Somadas as audiências obtidas com esse espetáculo, foi um valor próximo aos 33 pontos. Há tempos um evento político não havia chamado tanta atenção na televisão.

O espetáculo da votação do impeachment foi muito grotesco. Nunca antes havíamos visto a baixa qualidade dos nossos representantes. E nunca antes eles haviam tido a oportunidade de ter seus 15 segundos de fama. Nós vimos naquele dia uma mudança substancial na política do Brasil. E essas mudanças acabaram definindo o nosso atual momento.

Uma pena que aquele espetáculo grotesco não serviu pra muita coisa. Instalou-se o caos. E ele permanece aí.

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Written by Israel Anderson

Jornalista por formação, cineasta por estudos e curioso por natureza. Internet por paixão.

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