E tudo começou com uma carta…

 

Não faço um blog sobre política ainda. Mas não é por que se especializa em entretenimento que se deve fechar os olhos sobre o que acontece em nosso país e no contexto onde vivemos. Eu, pelo menos, não sou alheio a isso. Sou consciente dos fatos que acontecem no Brasil.

A cada dia, no entanto, fica mais claro o caráter golpista do processo de impeachment que estamos vendo acontecer no Congresso nesse momento. E não vamos tapar o sol com a peneira e achar que não é um golpe.

Do ponto de vista do rito e do processo legal, o atual processo de impeachment não é ilegal. De fato, ele segue os ritos que foram propostos pra isso pelo STF. Não é por causa disso que dizemos que o impeachment é um golpe.

O golpe do impeachment está em outra razão: a de não existir um crime que possa ser classificado como crime. As justificativas de “pedaladas fiscais”, sim, são uma forçação de barra pra algo que não existe e nem está tipificado criminalmente.

No ultimo dia 17 de abril vimos, no entanto, a verdadeira razão para o impeachment: política. Ficou claro que não vimos um julgamento como deveria ser e, sim, vimos um julgamento político. E os golpes não precisam de justificativas legais. Qualquer uma pode servir se atender aos seus interesses de tomar o poder ilegitimamente.

Novas eleições seriam ideais. Mas não vivemos no parlamentarismo

Desde aquele dia, entretanto, o assunto de novas eleições ficou ainda mais em evidência. No início, poucos foram favoráveis. Mas, hoje, após uma pesquisa ibope – quase escondida pela grande mídia tradicional – é quase um consenso entre a população que essa seja a melhor saída para a crise.

Todavia, não é o que parece para o atual vice presidente ou pretenso presidente, Michel Temer.

Ao saber que Dilma já está inclinada a propor uma nova eleição, Temer classificou essa proposta como um golpe.

Sempre apoiei essa idéia. Pode parecer populista ou até mesmo inconstitucional ou demagógica. Mas ela tem o sentido que era esperado que tivesse: expor ainda mais os responsáveis pela atual crise do Brasil e deixar ainda mais ilegítimo o pretenso presidente.

Era isso mesmo o que eu pensei ao analisar essa idéia – jogar a máscara e a verdadeira face do pretenso presidente. Ele e seus aliados, obviamente, seriam contra essa proposta. Aliás, a trataram com desprezo e a chamaram de uma proposta golpista.

Todavia, para quem conhece os meandros de Brasília, sabe que outro golpe pode estar vindo aí após a concretização final do processo de impeachment: aprovar a PEC da reforma política, estendendo o mandato do pretenso presidente até 2022.

A face de quem está por vir é o que define o que vai ser adiante

A face autoritária do pretenso presidente também está em seus aliados das bancadas retrógradas: querem que ele dê apoio e sancione leis como o Estatuto da família, do nascituro, a revogação do estatuto do desarmamento e várias outras propostas que são encabeçadas pelos evangélicos e ruralistas que são capazes de nos catapultar direto pra idade média. É esse o preço dessa aventura que querem que paguemos.

No meio de tudo isso, só tenho uma coisa a pensar: se Dilma propor encurtar seu próprio mandato é inconstitucional. Qual vai ser a justificativa quando Temer propor estender o próprio mandato? A de que é ” democrático”???

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Written by Israel Anderson

Jornalista por formação, cineasta por estudos e curioso por natureza. Internet por paixão.