A internet com o fluxo ilimitado de dados deve ter um fim e ele será próximo

O começo de 2017 com certeza está sendo marcado pelo retrocesso em muita coisa. Sobretudo se a gente for olhar na política. Seja aqui no Brasil ou no exterior. Mas não é de política que eu quero falar. É sobre como a internet como a gente conhece há quase 30 anos está perto do fim e o que vem a seguir não é muito bom.

Há umas semanas atrás, vimos o ministro da comunicação e tecnologia do Brasil afirmar que a internet ilimitada vai acabar em algum momento ao longo do ano de 2017. Ele foi amplamente vaiado, virou alvo de ataques de hackers. Por hora, ele voltou atrás. E afirmou que não vai mexer no modelo atual.

É verdade. Por hora eles precisam seguir todo o protocolo em discussão atualmente como as audiências públicas e outras formas de discussão. Mas em algum momento isso vai chegar no congresso para regulamentação e aí as coisas mudarão de foco.

Mas outro fato que aconteceu nos Estados Unidos desde que Donald Trump assumiu tem deixado o mundo da tecnologia apavorado: a nomeação do novo diretor da FCC – Federal Comunications Commitee – a agência equivalente a Anatel daqui – que já chega afirmando que a neutralidade da rede vai acabar.

A neutralidade da rede é um conceito da internet que define as redes – públicas ou privadas –  como livres para o tráfego de dados, sem priorizar nenhum deles sobre os demais. Por exemplo: o anúncio de um presidente tem a mesma prioridade nas redes da internet que o viral do momento.

Internet

Operadoras querem limitar o uso da internet e forçar a você pagar a mais por isso.

Operadoras querem criar planos de internet baseado em conteúdos.

A internet foi construída em cima da liberdade de tráfego de dados e é nisso que as operadoras e donos das redes querem mexer. Eles querem forçar você a pagar a mais dependendo do conteúdo que você acessa pela rede. E priorizando esse conteúdo sobre os demais conteúdos em seu plano.

Assim, por exemplo, será muito comum ver planos de internet voltados para vídeos. Outros para música. Outros para redes sociais. E assim por diante. Vai ser também bem comum ver planos de internet baseados em franquias de dados caso você queira acessar tudo de uma só vez como acontece hoje.

É verdade que as redes hoje não terão a mesma capacidade de conexão no futuro, mas não haveria problema se as operadoras investissem em estrutura para suportar o uso mais eficiente da banda disponível. Na internet móvel, isso faz sentido. Essas redes tem uma limitação natural, que são os obstáculos atmosféricos.

Mas o mesmo não se aplica a internet fixa. E é nela que as operadoras querem mexer. E nos vender a idéia de que o que elas oferecerão em pacotes é melhor que o que já temos hoje. E é obvio que não vai funcionar. Mas, infelizmente, elas são fortes pois detém o poder econômico.

A nós bastará apenas continuar pagando o absurdo que elas nos cobram por um serviço de baixa qualidade. Sim, isso aí é o que logo veremos acontecer. Será o novo normal. E, acredite, não vai ser melhor que o que já temos. É só mais um reflexo de como o mundo nesse começo de Século XXI que mas parece Século XIX de tantos retrocessos.

*clique em legendas para ver em português.

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Written by Israel Anderson

Jornalista por formação, cineasta por estudos e curioso por natureza. Internet por paixão.

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