no tornamos intolerantes e agora não sabemos como controlar isso

Por Jose Cruz/ABr – Agência Brasil, CC BY 3.0 br, Ligação

Sim, temos de pensar nisso. Intolerantes costumam prosperar em meio ao caos.

Esses dias eu tenho visto muitos se assustarem com a reações intolerantes sobre a morte de Fidel Castro. Não cabe aqui discutir aqui quem ele foi ou o que ele fez e se o que ele fez foi certo ou errado. Isso aí fica com os historiadores. O que me faz comentar sobre isso são as reações que tenho visto esses dias. E isso tem me assustado muito.

Intolerantes normalmente prosperam em meio ao caos. Especialmente o caos político de um país polarizado em meio a uma crise econômica e política após um período de expectativas após o impeachment e mesmo anterior a ele. Muita dessa intolerância que estamos vivendo hoje começou em 2013.

Até hoje eu não sei exatamente o que aconteceu naquele ano. Sei, sim, como começou. Sei que teve a ver com Marco Feliciano na presidência da comissão de direitos humanos. Teve a ver com os abusos feitos naquele ano por governadores e prefeitos em valores das passagens dos transportes públicos.

Mas foi ali que a semente dos intolerantes foi plantada. Ali começamos a não querer ouvir os demais. Ali, começamos a expor nosso pior lado. Ali começamos a polarizar. A dizer que tudo o que eu não concordo é esquerda ou direita ou coxinha ou petralha. Devo admitir, isso tem me incomodado demais.

Muito por que eu conheço pessoas de ambos os lados. Transitei por ambos os lados e me deixa triste ver que os intolerantes estão prosperando. Ao mesmo tempo, eu não fico impressionado. A forma como isso tudo aconteceu fez aflorar paixões. A política no Brasil é muito movida a paixões. Podemos até negar, mas é verdade.

E nesse caos todo dos intolerantes, aflorou ainda mais o preconceito contra minorias e demais demandas sociais.

Essa onda de intolerantes me deixa preocupado por várias razões. A principal delas não tem a ver com direita ou esquerda. Mas, sim, com os extremos. Me dá medo que desse caos todo surja uma figura que seja capaz de oferecer um discurso extremado que prometa resolver esses problemas todos.

E, ao mesmo tempo, aumentar ainda mais as ondas de intolerantes com as minorias  e demais demandas sociais. Como eu disse no começo, me assustou muito ver as reações sobre a morte de Fidel Castro. Me deixa preocupado que a falta de empatia ou mesmo de um mínimo de respeito ao próximo leve pessoas a ficarem felizes com a morte de outra.

Não vou julgar o que ele fez ou deixou de fazer ou mesmo as suas ideias. Isso aí eu vou encontrar várias discordâncias. Mas não acho que devemos tratar nossos adversários políticos ou mesmo concorrentes com tanta falta de humanidade. Isso mostra o quanto as pessoas ainda precisam evoluir bastante para poder superar essas questões em um momento como esse.

Isso, infelizmente, vem tomando bastante espaço recentemente. Não só no Brasil – embora aqui, de certa forma, isso ainda esteja em um grau menor mas igualmente preocupante. A vitória de Trump nos USA tem revelado isso. Não é o melhor lado que os humanos podem mostrar.

Por que, de fato, não é. É o nosso pior lado que aflora. É o nosso pior lado revela muito de nós mesmos e da falência dos nossos sistemas de educação e de tolerância.

Devemos começar a semear a tolerância e a empatia. Aprender a disputar e aprender a perder. Entender que nem sempre se ganha. Entender que perder também faz parte. Que praticar a empatia não é errado. E assumir isso também não.

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Written by Israel Anderson

Jornalista por formação, cineasta por estudos e curioso por natureza. Internet por paixão.

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