Record, SBT e RedeTV querem cobrar por aquilo que é gratuito e amplamente disponível.

A polêmica dos últimos dias é aquilo que você já deve ter visto nas redes sociais: as emissoras de TV aberta (e reconhecidas pela baixa qualidade de suas programações) querem cobrar das operadoras de televisão por assinatura para continuarem na grade de canais delas. A base é a lei 12.485/11. Mas as coisas não são bem assim.

A Lei do Serviço de Acesso Condicionado versa sobre como o serviço de televisão por assinatura deve funcionar, como e por onde ele deve ser distribuído e empacotado e quais são os canais obrigatórios e de amplo acesso, incluindo canais públicos, governamentais e abertos. A lei especifica que em seu artigo 32 que os canais analógicos serão de distribuição gratuita e sem custo aos assinantes.

Até aí, tudo bem. A lei de 2011 foi pensada justamente pelas operadoras. A lei prevê que as emissoras abertas poderão cobrar por seus sinais digitais na programação das operadoras de televisão fechada. Assim como podem obrigá-las a carregá-los gratuitamente.

O mais confuso da história toda é que a lei 12.485/11 não revoga a lei 8.977/95, conhecida como Lei do Cabo que especifica em seu artigo 23 que as operadoras de televisão por assinatura são obrigadas a carregarem os canais de TV aberta VHF ou UHF das regiões que elas atendam. A lei de 1995 não foi revogada pela lei de 2011 embora ambas versem sobre o mesmo tema. Há, obviamente, uma enorme confusão aí.

As operadoras se recusam a pagar aos canais de televisão aberta e gratuitos para tê-los em suas grades. E os canais estão fazendo uma campanha ridícula sobre isso. E, sinceramente, estou do lado das operadoras. Não autorizo a operadora que eu uso, a NET, a me cobrar por canais de baixíssima qualidade no meu pacote de televisão.

Redes de Televisão aberta querem cobrar pela baixa qualidade de programação delas. E acham que devemos pagar por isso.

A Record, SBT e RedeTV não são e nem nunca foram nenhum exemplo de qualidade. Pelo contrário. São os canais reconhecidos pela baixa qualidade em suas programações. A Record, com seu jornalismo tendencioso e sensacionalista partidário e novelas que mais parecem carros alegóricos. Além de ter conteúdo religioso infectando a programação diariamente.

A RedeTV nem se fale. Só tem igreja o dia inteiro e programas de fofoca com espaço para todos os tipos de preconceito. O SBT só exibe enlatados, novelas mexicanas e programação nacional de baixa qualidade contando com apresentadores reconhecidamente homofóbicos e preconceituosos.

O fim da TV analógica no Brasil tem se dado por etapas de acordo com a implantação dos canais digitais em UHF nas cidades brasileiras. E tem sido uma oportunidade incrível de limpar o espectro da TV aberta da baixa qualidade e infestado de programação religiosa evangélica o dia inteiro.

Não é preconceito contra evangélicos. O problema está na infestação deles ocupando espaços que deveriam ser preenchidos com programação original e gerando empregos. O mercado audiovisual brasileiro é altamente limitado. Com igreja ocupando espaço, ele se torna muito mais limitado ainda.

cobrar

NET corta o sinal do SBT e informa que não vai pagar por ele

A TV Aberta já é um espectro com qualidade baixa e altamente infestado com parasitas. Querem agora cobrar de você por isso.

As operadoras, ao começarem a tirar do ar esses canais, nos dão a oportunidade de ver como a televisão pode ter qualidade de programação com o dinheiro que lhes pagamos mensalmente. Não faz falta pra mim a presença do SBT, Record ou RedeTV no meu pacote de televisão.

Não precisar ter de suportar a mentira e o partidarismo sensacionalista desses canais já é algo muito positivo. E mesmo as pessoas que só assinaram televisão apenas para ver TV aberta acabam descobrindo um mundo inteiramente novo. E nem adianta que Record e companhia afirmem sobre a Globo estar presente nas operadoras.

A Globo está presente nas TVs por assinatura apenas em algumas regiões do país. Em Brasília ela está presente. Mas basta andar pelas cidades do entorno que ela deixará de estar presente nessas operadoras. E ninguém deixa de assinar por causa disso. Basta uma antena para conectar ao conversor ou ao aparelho digital e problema resolvido.

A saída das emissoras ainda vai dar muito problema e a lei 12.485/11 ainda está sendo questionada no STF. Mas não se surpreenda. As emissoras devem perder essa. E é isso o que dá permitir que emissoras façam leis sem se certificarem que outra lei já as obriga a distribuir gratuitamente.

Enquanto isso, se você deseja ver a baixa qualidade dessas emissoras, ligue na TV aberta. Lá a baixa qualidade delas estará presente em HD!

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Written by Israel Anderson

Jornalista por formação, cineasta por estudos e curioso por natureza. Internet por paixão.

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