Pessoas dão suas opiniões sobre tudo mesmo sem saber o por que disso

Pessoas na internet querem dar opiniões sobre tudo

Hoje, ao que parece, as pessoas querem dar opiniões sobre tudo e todos sem nem saber sobre o que opinar

É bom a gente entender que a internet acabou fazendo da gente uma “máquina de opinião”. Temos opiniões para tudo, para todos e sobre até mesmo coisas que sequer sabemos ou dominamos. E muita dessas opiniões vem muito do senso comum. E no senso comum nós encontramos um mundo de atrocidades que não permitem o pensamento crítico. Apenas os chavões de sempre.

Mas, de novo, me explico. Já falei em outro post sobre as bolhas sociais que o Facebook e outras redes sociais criam. A internet é um mundo infinito, é impossível que saibamos de tudo ao mesmo tempo e que a gente consiga acompanhar todos os acontecimentos ao nosso redor. Aliás, o problema é justamente esse. Não podemos acompanhar tudo, mas continuamos pautados pela mídia e suas opiniões acabam guiando a forma como o próprio senso comum vai responder a essas questões.

 

As pessoas na internet querem, desesperadamente, dar opiniões sobre tudo. É como se fosse o objetivo de existência das redes sociais.

 

A polêmica da vez veio do programa da Fátima Bernardes. Na edição de segunda-feira, ela fez uma pergunta que envolvia um dilema ético. Aliás, um falso dilema entre salvar alguém gravemente ferido a beira da morte e salvar alguém levemente ferido sem urgência. A pergunta feita no programa da Fátima já estava errada em sua origem: não há um dilema aí.

Quem já recorreu a um serviço de emergência sabe muito bem que existem critérios de atendimento que levam em consideração o estado do paciente. Se você vai a um serviço de urgência e emergência para resolver uma coisa simples mas isso pode esperar, você não será atendido logo. Agora se alguém chega a um serviço de urgência e emergência a beira da morte, dependendo de atendimento urgente, sim, essa pessoa terá prioridade de atendimento. Em qualquer serviço médico, a prioridade será sempre salvar vidas.

E não importa se essa pessoa seja um bandido ou um policial

A obrigação de qualquer atendimento médico é salvar e preservar vidas. Ai reside o falso dilema do programa da Fátima Bernardes. Não há escolha. É uma questão ética e legal. Médicos agem para salvar vidas. As consequências de quem as vidas serão salvas, se de um policial ou do bandido são outro departamento: o legal.

Se um médico se recusa a atender um caso urgente, ele pode ser processado e mesmo perder o direito de exercer a medicina, algo que exige fazer uma opção pela vida. Independente de quem seja essa vida. Não cabe aos médicos fazerem julgamentos legais ou morais. Cabe aos médicos agir de acordo com o  código de ética e ao juramento feito ao fim do curso.

Mas não cabe ao senso comum julgar as atitudes de um serviço de pronto-socorro. Ou acusar Fátima de defender bandido e fazer milhares de vídeos sobre isso com palavras de baixíssimo calão. O senso comum não costuma pensar, se guia pelo que ouve ou vê. E as vezes sem sequer entender sobre do que se está falando ou mesmo sobre a discussão colocada.

As pessoas na internet querem, desesperadamente, dar opiniões sobre tudo. É como se fosse o objetivo de existência das redes sociais. Isso aconteceu na segunda-feira, mas repercute até hoje e até um deputado conhecido por suas posições extremas fez vídeo acusando Fátima de falar aquilo que ela não disse ou defender aquilo que ela não defendeu.

Conclusão

Antes de falarmos qualquer coisa na internet, que tal a gente praticar a empatia? Que tal se colocar no lugar do outro? Que tal entender o que é preciso entender para dar opiniões? Já estamos vivendo em um mundo muito complicado. Precisamos ao menos refletir um pouco mais antes de falar. Isso evitaria milhares de problemas sem a menor necessidade.

P.S.: Eu não sou um hater do Felipe Neto. O acompanho desde o começo e sei de várias opiniões controversas dele. Eu não concordo em tudo com ele, mas nesse vídeo eu concordo 100%. Que esse post também chegue até ele de alguma forma.
E, sim, eu não ia falar disso. Mas falei depois que eu vi o vídeo dele.

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Written by Israel Anderson

Jornalista por formação, cineasta por estudos e curioso por natureza. Internet por paixão.

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