Entender as eleições de 2016 é a chave pra entender o momento

Não, não vou falar que o que aconteceu atualmente no Brasil foi golpe. Acho que não há como dizer isso se o principal envolvido nele aceitou a regra do jogo e a penalidade por ele imposta. O impeachment foi e tem sido de uma enorme consequência para o antigo partido que ocupava o poder. As eleições demonstraram isso e é algo que não há como negar. É devastador.

Os resultados de outubro que finalizam hoje representam um enorme crescimento de vários segmentos políticos ditos liberais mas associados com segmentos religiosos que não são tão liberais assim. O movimento partidário visto nessas eleições é de uma contradição que não se encaixaria em um período relativamente normal da política nacional. O único culpado por isso, no entanto, não é o eleitor. Essa culpa está no antigo partido que ocupara o poder e suas alianças escusas.

O saldo final das eleições municipais foi o enfraquecimento dele. E o fortalecimento de seu principal oponente nos últimos 20 anos. Passado o resultado final, já não se pode falar que estamos em um momento de polarização política. Essa já foi superada. E com uma enorme vantagem pelo lado direito do espectro político em uma votação sem precedentes. Este resultado não me espantou. Confesso, era bem esperado que assim fosse dado o momento atual. Mas o que temos de pensar agora é outra coisa: como chegamos até aqui?

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Foto: Nelson Jr./ ASICS/ TSE (04/09/2008)

A minha resposta está em entender o que, de fato, causou tudo isso. E a chave pra isso está em voltar uns 2 anos atrás e relembrar o momento que vivemos em 2014. Não vou relembrar os detalhes, mas apenas o clima que aquilo teve: foi uma alteração bastante significativa no equilíbrio das forças políticas quando o atual detentor do poder não queria estar com o antigo partido mas permaneceu com ele pelas chances de vitória que teria.

Em 2015 descobrimos que as coisas não eram como diziam meses antes.

E desde então tivemos início a esse ciclo econômico que apeou o antigo partido do poder. Não vou dizer que se tratou de uma mentira ou estelionato eleitoral – e nem que isso não tivesse acontecido. Há uma série de fatores que levaram a esse desequilíbrio: o mercado internacional instável, o congelamento de preços e facilidade de crédito, desonerações fiscais em alguns setores e, sobretudo, a falta de diálogo do antigo partido com o congresso.

Foi crucial, no entanto, o fator político. Não se governa um país imenso como o Brasil sem ter um mínimo de apoio no congresso. E isso foi o que se perdeu. E foi aí que as coisas desandaram. Não é simples e nem nunca vai ser ver isso pela lógica dualista que a mídia em geral quer impor ao país. Não é apenas uma disputa entre os lados esquerdo e direito do espectro político. Até por que a maior vantagem esse ano esteve no lado direito dele.

Mas não podemos também demonizar os outros segmentos responsáveis por essa mudança política que tivemos aqui, que são os evangélicos. Pretendo falar mais profundamente sobre eles lá na frente, mas não podemos tratar esse segmento como se eles não fossem capazes de julgar ou avaliar essas situações. É preciso perceber quem fala com eles e, o mais importante, como falam e como isso os influencia. A chave que desvenda os resultados de domingo está nesses pequenos detalhes.

É preciso o lado esquerdo do espectro pare com essa visão dualista e muito acadêmica e procure entender por que eles não conseguiram mobilizar as ruas e as comunidades para conseguirem angariar resultados positivos nessa eleição. É triste ver  que as mágoas ainda estão fortes. Mas se elas não forem resolvidas e superadas, infelizmente, somos nós que pagaremos pelos erros que não são nossos.

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Written by Israel Anderson

Jornalista por formação, cineasta por estudos e curioso por natureza. Internet por paixão.

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