Pastor Malafaia é hipócrita

25/06/2015- Brasília- DF, Brasil- Pastor Silas Malafaia e o professor Toni Reis participam na Comissão especial sobre o Estatuto da Família de audiência sobre políticas públicas direcionadas à entidade familiar.

Um dia que eu fiquei fora daqui e já temos uma reviravolta: a condução coercitiva de um pastor midiático. Que reviravolta!

Um dia que eu fiquei afastado e muita coisa aconteceu. De uma nova citação e confirmação da participação de Temer em esquemas de propinas, hoje tivemos como maior destaque a condução coercitiva do pastor Silas Malafaia, conhecido pelo ódio em suas pregações. Especialmente entre a comunidade LGBT.

O pastor Malafaia não era tão conhecido pela mídia brasileira até mais ou menos o ano de 2006.  Quando a Câmara dos Deputados aprovou o PLC 122, que previa a criminalização da homofobia, Malafaia foi o maior opositor. E ele usou o PL122 como plataforma para chegar aonde chegou hoje.

Até então ele era conhecido apenas em círculos evangélicos. Mas, depois disso, ele ganhou mídia especialmente pelo jeito inflamado dele de falar. Não que ele não fosse assim antes de ser midiático. Ele apenas piorou mais quando teve os holofotes virados para si. E, daí, foi para a influência política.

Essa influência começou ainda em 2006 quando elegeu-se deputados evangélicos mais preocupados com o que as pessoas fazem em sua intimidade do que em fazer projetos de lei relevantes e importantes para as necessidades do país. E, pra eles, não havia outra pauta.

E isso foi crescendo aos poucos, até chegar em 2010. Mas, na minha vida, a influência nefasta da pregação de ódio dele já era realidade bem antes de todos saberem quem ele era. E, hoje, essa notícia simplesmente me fez lembrar das várias vezes que, por causa dele, eu tive a vida destruída.

Algum dia eu contarei essa história mais claramente. Mas lembro de, já na época, achar que esse jeito exaltado dele procurava esconder alguma coisa. E, de fato, sim. Há muita coisa escondida ali. E nem tem a ver com a homossexualidade. Quem fala demais de moral, sempre está escondendo alguma coisa.

E isso apareceu hoje, não por acaso, em meio a toda essa crise de legitimidade que o atual momento do Brasil passa.

O momento que o Brasil viveu, está vivendo e viverá em 2016 até o dia 31/12 é muito singular. Não que esses momentos singulares não existissem antes. Mas é significativo perceber que a condução coercitiva do Malafaia, acusado de lavagem de corrupção, aconteça justamente dentro do maior escândalo político atual.

Malafaia foi um dos primeiros nomes em todo esse processo que culminou nessa crise atual. Da influência na campanha de 2014, quando esvaziou a campanha de Marina Silva até o apoio a Eduardo Cunha. Apoio, aliás, que ele veio a negar pouco depois. E não colou.

O apoio dado a Eduardo Cunha trouxe mais luz a própria hipocrisia do pastor. Ele sempre tentou vender a si mesmo como alguém praticamente infalível. Para seus seguidores, era praticamente o próprio deus. Basta ver os comentários dos seguidores dele nas redes sociais.

Na internet, costumamos dizer que o pastor tem o toque de midas ao contrário: tudo o que ele toca sempre acaba dando errado. E isso se provou duas vezes. Em um mesmo ano. A primeira derrocada, a de Eduardo Cunha, em maio desse ano. O pastor negou apoio. Mas o Twitter provou o contrário.

A segunda, o próprio governo Temer. O governo Temer começou em meio ao impeachment lá em maio mas com extenso apoio do pastor. Ele, inclusive, fez uma “oração” para que Temer tivesse sucesso. Sete meses depois, Temer está na corda-bamba, prestes a cair.

E cada vez mais atolado em esquemas de corrupção. Não é a toa que eu mesmo já disse que invertemos a lógica. As denúncias de corrupção que envolvem diretamente o presidente são motivo suficiente para sua destituição. Isso foi usado pra atingir Dilma. Mas agora está sendo minimizado.

E em meio a toda essa lama política e religiosa que estamos vendo no Brasil, a condução do pastor Malafaia só serve pra deixar mais uma coisa clara: que a falsa-moral pode até enganar, mas uma hora ela cai por terra. Isso apenas começou pra ele. E ainda vai muito longe…

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Written by Israel Anderson

Jornalista por formação, cineasta por estudos e curioso por natureza. Internet por paixão.

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