poder evangélico em ruína

Acontece na Avenida Comercial Norte, em Taguatinga-DF a 3ª Marcha para Jesus (José Cruz/Agência Brasil)

Os evangélicos estão perdidos em sua sede de poder.

Já tem algum tempo que o crescimento dos evangélicos deixou de ser alguma surpresa no Brasil. Na verdade, era um crescimento até previsível. Especialmente por causa do boom econômico que o Brasil viveu durante o fim da década passada. Isso deu força para as igrejas.

Ao mesmo tempo, os evangélicos viram que tinham de entrar na política de modo a evitar uma agenda que eles considerassem uma afronta para suas crenças punitivas. Assim iniciaram a campanha pelo poder. E cada braço dos evangélicos tentou atingir o domínio político. As vezes, sem conversar entre si.

Assim, tivemos as principais igrejas pentecostais e neo-pentecostais lançando seus candidatos e estratégias voltado para o que mais os interessavam: A IURD, de Edir Macedo, centralizando na questão da comunicação. Ali, a estratégia principal é travar qualquer iniciativa que vise mudar ou modificar o mercado estabelecido.

Já a Assembléia de Deus tem uma atuação mais difusa dentro do congresso. Mas ainda fortemente ligada aos costumes e temas polêmicos como o aborto e os direitos dos homossexuais e transsexuais. Em todos esses casos, a atuação deles sempre visa travar qualquer avanço.

Outras igrejas menores estão no Congresso Nacional apenas para continuar garantindo as próprias benesses e evitar que qualquer lei que as beneficie seja alterada. No dia a dia, esses representantes difusos raramente conversam. Se unem apenas quando precisam barrar alguma iniciativa progressista.

Todavia, a proporção de evangélicos no Brasil ainda é pequena se comparada com toda a população do país. Pelos dados do IBGE, a  proporção de evangélicos no Brasil está na casa dos 20%. Os evangélicos projetam – aliás, sonham – que chegarão a ser a maioria na população em 20 anos.

Mas isso, infelizmente, não acontecerá. O que estamos vendo nesses últimos tempos é o máximo que eles estão chegando. É o teto de crescimento. Após isso, a estabilização. Como acontece com qualquer outro produto ou ciclo de mudança.

O problema é que em sua busca pelo poder, evangélicos se envolveram com o que de pior existe na sociedade.

Essa busca de poder que os evangélicos fazem desde meados da década passada não é por acaso. Precisam garantir que nada mude. Que tudo fique como está. Que tudo seja moldado à visão de mundo que seus pastores – muitos, semi-analfabetos – pregam em suas igrejas.

A propagação evangélica no Brasil tem essa característica. Ela não acontece de um movimento como o que levou à reforma protestante ainda no século XVI. A reforma protestante se diferenciava da igreja católica pelo apreço ao conhecimento para combater a ignorância.

Os evangélicos atuais são o oposto disso. Não presam o conhecimento. Não buscam o conhecimento. São a repetição do senso comum. E são a essência do fundamentalismo religioso. Suas pregações são prejudiciais para as pessoas. São incitação ao ódio. E um dos responsáveis por isso é justamente Malafaia.

Malafaia teve seu poder elevado ao que vimos até aqui por causa de sua pregação inflamada contra minorias sociais. Homossexuais, transsexuais são os temas mais falados por ele. Ele é constantemente convidado por programas de televisão de baixo nível para falar o que ele não sabe. Apenas para espalhar seu ódio.

Poder pelo poder

O poder conquistado por Malafaia em cima de preconceitos hoje começa a ruir. O poder que os evangélicos almejam está sendo conquistado em cima de bases repulsivas, com o de pior existe na sociedade e na política brasileira. Mas como qualquer projeto, tem prazo de validade.

O possível envolvimento de Malafaia com esquema de corrupção mostra o quão corrompido estão os evangélicos. Suas obsessões com a sexualidade a vida alheia os levam as piores alianças possíveis. São condenáveis. São alianças sujas. Troca de favores. Poder por poder.

Assistimos, entretanto, o começo do fim de todo o poder que um dia sonharam em ter mas que suas ambições controladoras levarão à sua própria ruína. E isso vai acontecer. Não vai demorar muito. Não poderão enganar as pessoas por muito tempo. Uma hora a verdade sempre vem a tona.

 

 

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Written by Israel Anderson

Jornalista por formação, cineasta por estudos e curioso por natureza. Internet por paixão.

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