A polarização política entre radicais de esquerda e radicais de direita não leva a lugar nenhum. Apenas a mais divisão.

Não gosto muito de falar de política. Não que eu não goste do tema em si. Mas por que no Brasil falar sobre política é algo parecido com futebol: uma disputa de paixões. E as defesas de ambos os lados do espectro político são feitas baseadas nessa paixão. As vezes, um tanto exagerada e polarizada. Mas não leva a lugar nenhum. Apenas a mais divisão e desentendimento. Mesmo quando estamos falando do futuro do país.

Ontem eu falei de como os reflexos da eleição francesa estão se refletindo por aqui e preparando o cenário para que aqui as coisas sejam parecidas com o que já aconteceu nos Estados Unidos. É uma disputa que vai acabar privilegiando outsiders. E provavelmente eles estarão mais a direita no espectro político. O problema é que as paixões não deixam que algumas coisas sejam entendidas.

Em primeiro lugar é que a realidade não é preto no branco e não vivemos de ideologias. Viver de ideologias é o que estamos vendo acontecer aqui na nossa própria vizinhança, na Venezuela. Ali estamos vendo um governo desesperadamente querendo impor-se e impor a sua ideologia e punir seus opositores. É importante que tenhamos ideologias. É como na música do Cazuza, “ideologia, eu quero uma pra viver.” É importante que elas existam. Mas elas não podem ser maiores que a realidade.

No Brasil, se você se inclina a questionar algumas coisas, sejam elas tanto à direita, sejam elas tanto à esquerda, a gente acaba sendo taxado de um ou de outro e vice-versa de acordo o que o seu interlocutor acredita. Se você critica Lula, você automaticamente é da direita. E se você questiona algumas coisas da Lava Jato, você é um esquerdista petralha e essas coisas. Se você tenta entender as reformas atuais, você é de direita. E se você ficar gritando toda hora contra elas, você é um esquerdopata doente.

política

Paixão política é como futebol.

Paixão política polui o debate e acaba abafando o que importa.

É sempre assim. Essa paixão não deixa que as pessoas entendam que não existe preto no branco. A realidade acaba se impondo, cedo ou tarde. E existe uma série de cores e ideologias que estão entre esses lados. Deveríamos estar, hoje, entendendo todo esse processo inteiro e como fazer isso, de fato, representar os anseios do país. A pesquisa do PT já disse que o que a classe mais pobre pensa. E isso é algo que deveria ser melhor discutido.

Não pela perspectiva de um marqueteiro. Mas da perspectiva de quem está lá embaixo, que sonha e quer aprender a viver pelas próprias pernas. Isso não significa ser nem de direita e nem de esquerda. Mas entender que uma ou outra coisa se encaixa em determinado momento. E que cada uma acaba se complementando. Não há nada de errado em querer andar com as próprias pernas.

Mas falta aos políticos e a própria política entender quem, de fato, se propõem a representar. Enquanto isso não acontecer, estaremos a mercê de um aventureiro. E isso será um enorme problema para todos nós. E para o país inteiro.

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Written by Israel Anderson

Jornalista por formação, cineasta por estudos e curioso por natureza. Internet por paixão.

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