A “Baleia Azul” é um “jogo” onde as pessoas cumprem desafios e, ao final, se suicidam.

O “jogo” da “Baleia Azul” é uma série de desafios que os participantes precisam cumprir. São mais ou menos 50 desafios. Ao final, o participante deve se suicidar. A história tem sido dispersada pela internet há algumas semanas até chegar na televisão onde as reportagens sensacionalistas tem explorado o lado policial dessa situação. Elas esquecem o que, de fato, tem por trás de tudo isso.

Não se sabe exatamente a origem do jogo da baleia azul. Provavelmente começou na Rússia entre o final de 2015 e começo de 2016 em uma comunidade na internet. Uma garota – em estado de depressão – fez alguns desafios e decidiu suicidar-se no final de 2015. Ninguém sabia a origem desses desafios. Apenas quando houve uma investigação da polícia é que se chegou a conclusão que havia algo por trás.

Todavia se sabe muito pouco e as investigações na Rússia e em outros países – inclusive no Brasil – ainda não podem relacionar os casos efetivos de suicídio com esse jogo. Sabe-se apenas que existem comunidades relacionadas a eles. E é nisso que as investigações policiais tem se centrado. Ainda não há uma conclusão. Apenas suspeitas. Todavia, isso tem sido um fenômeno mundial. E é bem suspeito que envolvam adolescentes. Quase todos eles com sinais típicos de depressão.

Mas é isso que talvez muitos de nós não temos dado conta com relação ao que exatamente envolve esse jogo da baleia azul. E é isso que é bom falar aqui. Independente da origem desse jogo nefasto, precisamos falar sobre como a depressão nos leva a fazer coisas que não queremos apenas por que queremos nos sentir aceitos. A depressão não é uma frescura. Não é uma fase que vai passar. A depressão é uma doença. Envolve transtornos. E muitos de nós, incluindo os que na minha idade já são pais ainda não entenderam: observar esses sinais.

 

baleia azul

O “jogo da baleia azul” é muito mais sério. Ele deixa claro que estamos ignorando os sentimentos dos nossos jovens. E assim é como eles se sentem: perdidos.

Parece fácil quando você acredita que está tudo bem apenas pela aparência. Mas não é.

A depressão nos jovens nem sempre vai ser parecida com a manifestação dos adultos. Nos adultos em geral a depressão é incapacitante. Nos jovens tem a ver com a aceitação por seus grupos. Jovens que não se sintam aceitos, que se sintam excluídos, que não tenham suas vozes ouvidas ou percebidas por pessoas que eles considerem importantes na vida deles. No fundo, eles estão pedindo socorro.

Os desafios desse jogo incluem a auto-flagelação. Ferir-se, aprender a segurar a dor por que alguém que supostamente os manda fazer isso. E se isso não está sendo percebido pelos pais ou responsáveis, amigos, pessoas importantes na vida desses jovens. Isso é um pedido de ajuda. Nem sempre os pedidos de ajuda vão ser um grito de socorro. A maior parte das pessoas com depressão não se sente importante no mundo. E nem que as pessoas sentirão a falta delas. Eu sei bem disso. Eu vivi isso. Eu era o excluído. O diferente. O que ninguém achava importante.

Eu entendo isso por que esses sentimentos ainda permanecem até hoje. Mas eu não deixo eles dominarem a minha mente e quererem controlar minhas vontades. Com o amadurecimento típico que todo jovem adulto é obrigado a enfrentar eu aprendi a controlar e a entender essas coisas e como elas acontecem. Descobri que tem formas que eu posso me dar um prazer pessoal. E limitando esses pensamentos ruins.

Nem todos os jovens ainda em formação são capazes de lidar com isso. E esses gritos de socorro, esses pedidos de ajuda dependem de nós. Ajudem. Se precisam conversar com alguém, use seu telefone para além de digitar mensagens. Ligue para o Centro de Valorização da Vida. o CVV. Disque 141. Fale. Se tem vergonha de expor seus sentimentos para amigos e conhecidos, o CVV vai saber lidar com essa situação.

Depressão é coisa séria. Não é uma brincadeira ou uma fase que vai passar. Mas podemos sempre fazer com que isso melhore. É isso que nossos jovens precisam. E é isso que precisamos fazer por eles.

 

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Written by Israel Anderson

Jornalista por formação, cineasta por estudos e curioso por natureza. Internet por paixão.

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