Sensacionalismo barato usado por sites de clickbait apostam na pós-verdade. E muita não importa o que se diga em contrário.

Hoje o bá-fá-fá da internet foi a suposta “PEC do Temer”, que foi espalhada pela internet pelo deputado federal Paulo Pimenta. Ele alardeou e sites de sensacionalismo resolveram seguir a onda. Pronto, o golpe estava completo e agora teríamos de aturar o Temer indefinidamente. E não importa que se dissesse o contrário afirmando que não havia a tal PEC do Temer. Ou qualquer possibilidade de Temer ter o mandato estendido até 2020 para unificar as eleições. O clickbait de sites e blogs de esquerda serviu apenas pra isso. Apostaram exatamente naquilo que eles sempre criticaram: a pós-verdade.

Não, eu não desconsidero o momento em que o impeachment aconteceu, suas causas e circunstâncias bem como suas consequências ou possíveis consequências que se derivariam disso. Eu entendo perfeitamente. E não desconsidero quem acredita nisso. Mas me irrita bastante, mesmo, ver as pessoas espalharem uma mentira ou acreditarem apenas em uma parte esquecendo-se do todo. E nem atentaram pra proposta em si. Ela é muito mais séria que a aventada e inexistente possibilidade de Temer estender o mandato em mais 2 anos. Isso não existe.

Mas é bem real que a proposta em questão crie uma maçaroca acreditando estar fazendo algo produtivo quando na verdade não está. A parte mais importante parte dessa proposta é a unificação de todo o calendário eleitoral do Brasil começando a partir de 2022, criando mandatos de 5 anos para cargos executivos e majoritários bem como deputados e vereadores e estendendo os mandatos dos senadores para 10 anos. Essa proposta é uma muvuca completa. Vai ser o pior dos mundos. Votar em todos de uma só vez é apenas criar mais uma forma de consolidar oligarquias eleitorais e famílias políticas. Afinal, em uma eleição, tendemos sempre a olhar para o executivo e esquecemos do principal.

sensacionalismo

Pós-verdade e sensacionalismo andam juntos. Falta do jornalismo sério.

A “PEC do Temer”, entretanto, é apenas uma das inúmeras propostas que fazem parte da comissão especial montada pela Câmara para analisar e criar um texto base do que se pretende ser a reforma política. Ainda não sabemos aonde essas propostas vão terminar. E nem em que direção os textos-base dessas reformas e alterações no sistema eleitoral vão. Por que ele ainda não existe. Existe inúmeras possibilidades. Mas nenhuma delas deve ser realidade para 2018 como alardearam sites e blogs de esquerda. Até por que não há tempo hábil para isso.

o que ficou nessa história é o que a dita esquerda faz: usar aquilo que ela condenou em seus antagonistas. Clickbait é algo comum na internet. Vários sites utilizam esse recurso para dar um boost nos ganhos do adsense. Todavia, o sensacionalismo é algo que não leva a lugar algum. É, na verdade, a pior prática de jornalismo que existe. E muitos desses sites sequer são feitos por jornalistas mas de pessoas que apenas escrevem aquilo que acreditam e teorias da conspiração sem necessariamente terem alguma ligação com o mundo real. E, até aqui, é isso que está acontecendo.

O sensacionalismo é uma das piores práticas do jornalismo. E o jornalismo sério é absolutamente desacreditado perto disso. E, não, não estou dizendo que os veículos da mídia tradicional são os melhores. Na verdade, eles são bem piores em muita coisa. Mas ainda são alguma fonte de informação que podemos considerar como oficial. Gostemos ou não. O sensacionalismo de sites não ajuda em nada. Apenas pioram as coisas. E não deixam que pensemos melhor. É o maior exemplo da pós-verdade.

E nem adianta eu dizer o contrário sobre isso. Aliás, eu e várias fontes seguras. Quem quer acreditar em sua convicção e visão de mundo e que ela explica o momento brasileiro atual, vai continuar pensando o mesmo. Então não há como mudar isso. Mas há como fazermos melhor em criar e produzir jornalismo sério e de qualidade. É o que falta no Brasil também. Uma pena que ninguém quer investir nisso.

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Written by Israel Anderson

Jornalista por formação, cineasta por estudos e curioso por natureza. Internet por paixão.

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