Status. É isso que a mídia vende quando oferece coisas aqui que são comuns em seus países de origem.

Brasileiro, da classe mais baixa à classe alta, dá bastante valor ao status. Isso está tão enraizado na cultura brasileira que acabamos achando normal pagar bem mais caro aqui por coisas que são absolutamente comuns em outros lugares. E achamos que isso nos faz superior.

Mas não deveria ser. Na verdade. Essa ideia de status é muito vendida pela mídia como algo ideal a ser alcançado. Em geral, focado na classe média que, levada a acreditar que consumindo determinado produto, estará igualada à classe alta ou aos ricos.

É uma técnica de publicidade e marketing. Faz parte da estratégia de marketing de várias marcas associar determinados produtos a estilos de vida, geralmente aquele estilo de vida cujo status é objeto de desejo das classes médias para alcançarem.

Isso funciona tão bem, mas tão bem, que aceitamos pagar muito mais caro por um produto de qualidade inferior quando comparado com os seus equivalentes em seus países de origem. Essa discussão veio à tona por causa da licitação de compras feita pelo governo Temer para o serviço de comissaria de bordo.

Status e estilos de vida vendidos são objetos de desejo das classes médias que sonham em alcançá-los.

O alto preço praticado no comércio brasileiro para os sorvetes Häagen-Dazs ou para a Nutella estão muito acima do que é cobrado em seus países de origem. Os sorvetes Häagen-Dazs são, de fato, sorvetes premium nos EUA. Só que lá eles são são produzidos localmente.

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Damos status a produtos que são comuns em outros lugares e pagamos caro por isso

Do mesmo jeito que aqui. A Häagen-Dazs é uma marca a Nestlé. E ela não vem importada. É feita aqui mesmo. Mas a ideia de que esse sorvete é o melhor do mundo pesa muito mais na hora de precificar. O mesmo vale para a Nutella.

Na Itália, a Nutella é um produto relativamente comum. Não é premium. Aqui é vendida como se fosse. É um produto que, embora desejado, não é acessível. Mas alimentos, bebidas e outros bens de consumo que são objeto de desejo da classe média. O status ideal a ser alcançado.

Esse status vale para outra coisa: carros. Não vemos carros no Brasil como eles são – um meio de transporte. Aqui, os carros são a materialização de Status. Ter um carro é, em geral, visto como algo de sucesso. Você é bem sucedido se tem um carro.

Não importa se seu carro é um carro popular, novo ou usado. Possuir um carro é um sinal de status. E as classes médias se acham por causa disso. Isso pode ser notado exatamente pela forma como vemos como os carros são estacionados ou mesmo na educação de quem os dirige.

Damos tanto status que isso é o que mais pesa na hora de precificar um produto.

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Status sobre objetos comuns

A mídia vende essa ideia diariamente. Não diretamente. Mas nas séries, nas novelas, no estilo de vida de celebridades. O status que damos a um carro faz eles serem vendidos aqui inferiorizados. Sem ter requisitos mínimos de conforto. Só tem os de segurança por que são obrigatórios por lei.

Pagamos caros por um iPhone. Bem mais caro do que ele realmente vale. O status que damos a ele justifica isso. Os iPhones vendidos aqui igualmente são montados aqui. Não justificaria o alto-preço. Mas isso importa? É o objeto de desejo das classes médias. E é esse status que a Apple vende.

Se a gente não desse tanto status a coisas que são comuns em seus países de origem, as coisas aqui seriam muito melhores. Se não muito melhores, mas ao menos não do jeito que vemos isso hoje. É um exagero o que pagamos apenas por que queremos manter aparências.

E esse status está saindo bem mais caro.

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Written by Israel Anderson

Jornalista por formação, cineasta por estudos e curioso por natureza. Internet por paixão.

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