Para não perder espaço, emissoras de televisão estão recorrendo à tecnologia para não perderem espaço para a internet.

Nesses dias, saiu uma notícia em dois sites do UOL, comentando sobre como o SBT e a Record e a RedeTV estão negociando com a Netflix para disponibilizar seus conteúdos na plataforma de streaming. Não parece ser uma decisão lógica do ponto de vista empresarial. Mas faz todo o sentido no plano prático: não perder espaço para a tecnologia.

A decisão tem dois objetivos práticos, sendo que o principal deles é alcançar a audiência mais jovem. Esse público anda mais afastado da TV. Atingir esse público hoje só é possível pela via tecnológica. É nas redes sociais, no youtube, no twitter que esse público está. Mesmo que ele não seja potencial consumidor, ele é influenciador.

Esse público influencia o consumo de tecnologia, influencia as discussões na internet e influencia os hábitos de consumo do próprio público mais velho, os pais, os mesmos que pagam por isso. Netflix hoje é um dos maiores provedores de conteúdo para os jovens. Faz sentido atingi-lo.

E é por conta dele também que está a outra razão: fazer frente à concorrência, como a Globo e as operadoras de televisão por assinatura. No caso da Globo, ela não disponibiliza o conteúdo original dela em uma plataforma independente. Eles criaram a plataforma própria, o GloboPlay, que é muito inferior ao Netflix.

Tecnologia

Tecnologia atinge os mais velhos e eles são os que influenciam os hábitos de consumo dos mais velhos

Tecnologia atinge os mais jovens, que influenciam os mais velhos.

Ao disponibilizar os conteúdos em uma plataforma popular, o Netflix, as emissoras visam aliar a tecnologia e forçar o próprio aumento no consumo de dados. O que deve influenciar de alguma forma a discussão sobre as franquias e limitações de dados. E é aí onde elas querem atingir as operadoras de televisão por assinatura.

As operadoras de televisão são também parte das operadoras de telefonia fixa e móvel que hoje dominam o mercado. Forçá-las a pagar preços justos pelos conteúdos veiculados pelos canais de TV aberta é o segundo objetivo da decisão dessas redes.

Independente de qual seja o resultado dessa investida, a iniciativa de disponibilizar o conteúdo próprio em uma plataforma popular é algo que deveria ser um padrão de mercado. Mas poucos pensam na tecnologia e em como ela evolui e poucos pensam em tirar proveito dela.

A geração que hoje depende do celular será a maioria da população daqui a poucos anos. E eles vão preferir a internet. Antecipar-se a isso é garantir seu espaço entre as novas gerações. Até a televisão está sendo obrigada a reconhecer a importância da tecnologia que a internet nos presenteia todo instante.

 

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Written by Israel Anderson

Jornalista por formação, cineasta por estudos e curioso por natureza. Internet por paixão.

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