A festa no domingo e a tragédia dias depois. muito triste.

São Paulo- SP- Brasil- 27/11/2016- Palmeiras e Chapecoense, na arena Allianz Parque, na tarde deste domingo (27/11), em partida válida pelo Campeonato Brasileiro. O Palmeiras sagrou-se campeão pela nona vez. Foto: Ricardo Stuckert/ CBF

O dia 29 de novembro se tornou um dia de tragédia. Não só pela real tragédia desse dia – o acidente do avião da Chapecoense – mas pelas pautas votadas no congresso.

O dia 29 de novembro é um dia que, para muitos, é aquele dia pra se esquecer. Especialmente pelo que aconteceu no congresso. Uma tragédia se plantou nas votações importantes que soaram bem oportunistas em meio a uma tragédia maior: o acidente com o avião da Chapecoense, matando 71 pessoas. E causando uma comoção nacional.

O dia começou com a confirmação do acidente aéreo da Chapecoense. Foi triste demais, eu admito, por que no fundo ainda tínhamos a esperança de que isso não se confirmasse e que fosse apenas uma notícia desencontrada. Mas nas primeiras horas da manhã foi confirmada a tragédia que vitimou o time, jornalistas e a tripulação do voo. Não sabemos as causas do acidente mas logo isso será esclarecido.

Todavia, foi muito triste ver como alguns oportunistas tiraram proveito do acidente da chapecoense para explorar a tragédia com o sensacionalismo de sempre: ultimas imagens deles antes de embarcarem no avião, selfies e outras coisas. Sério. Isso soou tão oportunista e triste que a tragédia parece mais servir para dar pontos de audiência e cliques em sites do que para expor nosso lado mais humano.

É nas tragédias e momentos ruins que o nosso momento mais humano deveria florescer. Em outro post eu já disse sobre como a nossa empatia tem dado lugar a reações exasperadas e não muito racionais. Não podemos acreditar que estamos dando espaço e lugar ao que de pior existe na gente.

Ainda acredito que o que existe em nós ainda é o que de melhor nós temos e o que nos faz humanos. A consternação com a tragédia e com as pessoas. Entender o momento delas e buscar conforto. Esse foi meu pensamento nesse dia em meio a essa tragédia da chapecoense.

Porém, o congresso nacional conseguiu no mesmo dia de tragédia fazer nosso pior lado ressurgir.

Eu sei que ninguém esperava que esse acidente fosse acontecer. Nem nós e muito menos os chefes dos poderes. Mas soou oportunista demais ver a forma como eles se aproveitaram da situação e mantiveram pautas em votação que demandariam maior atenção do povo se não fosse a tragédia da chapecoense.

Eu falo da PEC55, cuja penúltima votação aconteceu na noite do dia 29 de novembro. A famosa PEC do teto é um dos projetos de ajuste fiscal mais duros propostos pelo governo para evitar quebrar. E, não. Não vou dizer que a culpa é do PT, da Dilma, do Lula ou do Temer. Esse ajuste fiscal já deveria ter sido feito bem

Brasília - Manifestantes entram em confronto com a polícia em frente ao Congresso Nacional (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Brasília – Manifestantes entram em confronto com a polícia em frente ao Congresso Nacional (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

antes da situação chegar aonde chegou.

Para todos nós, a sensação é de que tudo está parado e que nada vai para frente no Brasil. E, de fato, não vai mesmo. Mas isso não tem a ver com esse ou aquele político ou governante em específico. Tem a ver em fazer o que não deveriam ter feito ou ter corrigido erros ao longo do percurso. O problema foram as reações oficiais das polícias que se envolveram no conflito com manifestantes. Não havia necessidade daquilo.

Um ajuste é necessário sim. Só não sabemos se essa PEC do Teto será efetiva nisso. Existem e continuarão a existir outras opções a essa PEC. Uma pena que esse ajuste fiscal não leva em consideração quem mais poderia ter condições de pagar pelo ajuste. A conta fica para a classe média e classes mais baixas. E para áreas essenciais da seguridade social.

É urgente que a gente tenha observe melhor o que está por vir. É bem certo que não será o melhor dos mundos. Mas também não deve ser uma tragédia anunciada.

A tragédia foi votar isso de maneira bem oportunista aproveitando-se da fragilidade do momento. Isso sim uma tragédia anunciada.

Comente com Facebook

Written by Israel Anderson

Jornalista por formação, cineasta por estudos e curioso por natureza. Internet por paixão.

Deixe uma resposta