O Youtube e o Netflix são os serviços que mudaram a TV. Especialmente as SmarTVs, que já os trazem por padrão.

No passado eu já tive muita obsessão por televisão, especialmente a TV aberta. No começo da década de 2000, era muito comum os fãs de TV aberta irem discutir programação em fóruns na internet. Eu mesmo  participava de vários. Era uma rede social. Primitiva. Mas era uma rede social. Era a forma que tínhamos de saber o que vinha nos próximos meses, discutir programação e audiências. E, no passado, eu já fiz site sobre isso. E blog também. E não tinha o youtube e o netflix.

Pelo menos por 10 anos isso foi uma realidade entre os jovens do Brasil, mas, especialmente, desde 2010 as coisas começaram, de fato, a mudar. Com a popularização da TV por assinatura naquele momento, os canais abertos começaram a perder espaço e com o aumento da internet banda larga para mais de 1MB de velocidade – até então, 1MB era o máximo vendido – e a massificação dos smartphones fez com que o youtube e o netflix ganhassem espaço. Especialmente entre os jovens. E começou a ganhar relevância o youtube e o netflix.

Caminhamos pra metade da década e qual é a novidade? A TV aberta caminha para a irrelevância. Especialmente e principalmente entre os jovens. A internet nos possibilita assistir e ver o que a gente deseja na hora que a gente quer. Sem precisar esperar um canal exibir. Isso é libertador. E é aí onde aconteceu o ponto de virada que tornou a internet a atual ameaça para alguns canais e operadores de TV por assinatura.

Não é nenhuma novidade que isso aconteceria. Especialmente pelo próprio investimento feito pelo youtube e o Netflix em criar conteúdos originais que possam ser explorados comercialmente – vendidos, alugados ou assinados por consumidores. E não são conteúdos quaisquer. São conteúdos e produções de qualidade, sem censuras comuns na televisão e sem restrições de temas abordados.

Youtube e o Netflix vem mudando de tela. E querem ocupar essa tela.

A TV vem perdendo espaço pra internet.

O que incomoda mais os canais de TV e operadores de TV nem é o consumo de dados. É que os canais hoje perderam audiência. E todo ano baixam ainda mais.

O exemplo mais claro de como isso tem acontecido é o da própria Globo. A Globo, no passado, já dominou a audiência de televisão no Brasil por margens enormes. Era absolutamente comum ver a Globo ter audiência de 60 a 70 pontos em final de novela, ver um programa inútil dela dar 40 de média. E, hoje com o canal Viva, descobrimos que muito do sucesso obtido por alguns programas era apenas pela audiência. Não por ser conteúdo interessante.

Sim, é verdade, você pode conferir. Muitas novelas da Globo que achamos que eram sucesso no passado descobrimos que não era. A Globo foi quem mais perdeu com isso. Com o sucesso de Youtubers e séries do Netflix, precisaram criar plataforma para distribuir conteúdos online. E, inclusive, capítulos extras que não foram exibidos na televisão. Estratégias comuns hoje a quase todos os canais que funcionam no Brasil.

É até legal ver que somos nós os que conseguimos furar o império global. Antes acreditávamos que isso seria feito pelo Silvio Santos ou mesmo pela Record. Hoje são canais tão irrelevantes quanto a própria Globo aos poucos tem se tornado. Ela ainda tem algum poder de influência, mas bem menos do que já teve no passado.

E é justamente pensando nisso que há toda essa proposta das operadoras em limitar a internet fixa. É uma forma de limitar o sucesso de serviços do youtube e o netflix e tentar recuperar o espaço que a televisão perdeu para esses meios. Uma pena que isso tudo será em vão. Mesmo que implantem as franquias de dados.

Nada vai poder parar isso. Nem mesmo a Globo.

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Written by Israel Anderson

Jornalista por formação, cineasta por estudos e curioso por natureza. Internet por paixão.

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