O YouTube agora se transforma em uma TV aberta ao restringir conteúdos que não consideram “apropriados para a família”.

A internet em 2017 conseguiu se superar. Sim, são os reflexos da influência de Donald Trump e da escalada conservadora que tem crescido em algumas partes do mundo, especialmente em países do continente americano. Começando nos USA, mas atingindo a gente aqui no Brasil também.

Mas isso, obviamente, não vai se limitar apenas na política. Isso também vai afetar os meios de comunicação e, especialmente, como elas reagem a toda essa demanda. Se há uma onda ou um pensamento conservador dominante capaz de eleger um presidente americano, esse público obviamente não pode ser ignorado. E a mídia sabe bem disso.

Esse posicionamento no meio termo é, no entanto, uma das formas de alguns veículos em lidar com isso. Nem tão liberal a ponto de chocar os conservadores e nem tão conservador a ponto de afastar os liberais. Mas, no entanto, isso não é o que tem acontecido com o maior site de vídeos do mundo, o YouTube.

Há algum tempo, alguns jornais americanos tem declarado uma guerra com o Google por causa de anunciantes. E muitos deles passaram a fazer matérias acusando os anúncios do Adsense do YouTube aparecem em vídeos com conteúdos discriminatórios, neonazistas. As matérias também falavam que os anúncios apareciam em vídeos de youtubers incentivando o antissemitismo.

Isso é, no entanto, uma matéria plantada por alguns veículos para pressionarem os anunciantes. O principal jornal que tem pressionado isso é o Wall Street Journal. Um jornal de economia e política de tendência conservadora. Esse jornal tem sido um dos principais expoentes de toda essa guerra contra o Google e as novas mídias.

YouTube

YouTube limita anúncios e conteúdos

YouTube retrocede por anos e tudo isso sem considerar quem dá audiência pra eles.

E isso, obviamente, é uma tendência que cresceu de janeiro até aqui. E o YouTube ao invés de proteger seus produtores de conteúdo acabou limitando ainda mais a monetização de vídeos e as visualizações. O YouTube criou um filtro que limita conteúdos das buscas e apenas se você tiver logado no sistema deles terá acesso ao que pesquisa.

O filtro do Safe Search foi a primeira grande mudança de limitação de divulgação de conteúdos. A outra tem sido cortar anúncios de canais que não são apropriados para a família. Algo definido como “Family friendly”. E isso, obviamente, vai afetar produtores de conteúdo que tem público direcionado e vai favorecer canais com conteúdo pouco relevante.

A decisão do Google de proteger seus anunciantes é algo que qualquer grande empresa de mídia faria. Afinal, é com o dinheiro deles que as contas são pagas. O problema é justamente prejudicar pessoas que não tem nada a ver com isso e que viam no Google uma forma de construir uma vida e fazer seus projetos virarem realidade.

Até há algum tempo atrás, o YouTube era um lugar que representava liberdade de expressão. Um espaço sem censuras. Agora ele se transformou em um ambiente retrógrado, capaz de ignorar quem literalmente constrói a audiência que sustenta os próprios anunciantes do Google!

E não sou eu quem está dizendo isso. Quem está dizendo isso são os próprios produtores de conteúdo conhecidos da plataforma. Confesso que eu fiquei realmente desapontado. Não apenas por que isso representa um enorme passo para atrás, mas por que isso tira qualquer vontade de produzir conteúdos.

Afinal, produzir um conteúdo que gere retorno é um investimento em tempo e qualificação. Saber que isso não vai ter retorno é uma frustração imensa e isso é algo que eu não estou disposto a passar. Não planejava ser um youtuber, apenas queria usar a plataforma para alcançar um público mais amplo.

Desisti depois dessa.

Vejam o que diz Felipe Neto sobre isso.

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Written by Israel Anderson

Jornalista por formação, cineasta por estudos e curioso por natureza. Internet por paixão.

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